A operação Fluxo Oculto, deflagrada em São Paulo, revelou o uso de fintechs como ferramentas para lavagem de dinheiro por organizações criminosas, mesmo após a operação anterior, Carbono Oculto. Essas fintechs movimentaram impressionantes R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, conforme apontam as investigações.
O papel das fintechs no esquema
As fintechs funcionavam como 'bancos paralelos', permitindo que dinheiro de origem ilícita entrasse no sistema financeiro. Segundo autoridades, essas empresas eram responsáveis por introduzir capital proveniente de atividades criminosas, como o desvio de nafta e a adulteração de combustíveis.
As investigações mostraram que a Faria Lima, um dos centros financeiros mais importantes do Brasil, se tornou um ponto estratégico para o crime organizado, que se aproveitou das regulamentações menos rigorosas enfrentadas por essas fintechs para movimentar grandes quantias de dinheiro com dificuldade de rastreamento.
Conexões entre organizações criminosas
Além do PCC, outras organizações também estavam utilizando as mesmas fintechs, o que levantou preocupações sobre a convergência de diferentes grupos criminosos. O promotor do Gaeco, João Paulo Gabriel, ressaltou que a estrutura financeira das fintechs foi explorada por diversos grupos, aumentando a complexidade do crime.
Fiscalização e regulamentação
As fintechs, ao contrário dos bancos, têm exigências regulatórias mais brandas e, portanto, são mais vulneráveis a abusos. Desde a operação Carbono Oculto, a Receita Federal tem trabalhado para equiparar a fiscalização das fintechs à dos bancos, exigindo um relatório mais detalhado sobre suas movimentações financeiras.
Medidas, como a criação da e-Financeira, visam melhorar o controle sobre as operações dessas empresas, obrigando-as a identificar os usuários que realizam transações. Além disso, a Receita instituiu a DeCripto, exigindo relatórios mensais sobre transações em criptomoedas, que também são utilizadas para movimentações ilícitas.
Impactos e desafios futuros
A pressão para melhorar a fiscalização aumentou após os EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas, o que pode impactar as relações comerciais e financeiras do Brasil. O especialista em compliance, Pedro Henrique Rezende, destacou a necessidade de as empresas analisarem cuidadosamente suas relações com o sistema financeiro internacional.
A operação Fluxo Oculto, com a cooperação de diversas autoridades, é um passo significativo para combater a infiltração do crime organizado na economia formal, mas ainda há muitos desafios a serem enfrentados para garantir a segurança e a integridade do sistema financeiro brasileiro.
