Uma pesquisa recente publicada na JAMA Psychiatry trouxe novas perspectivas sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), identificando três biotipos cerebrais distintos. Este avanço permite uma compreensão mais profunda do transtorno, que, por muito tempo, foi tratado como uma condição uniforme, variando apenas na intensidade dos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade.
A investigação, liderada por pesquisadores de instituições na China, EUA e Austrália, analisou imagens de ressonância magnética de mais de mil crianças. Os resultados revelaram que, além dos sintomas comportamentais, existem características neurais específicas que podem influenciar a eficácia dos tratamentos. A identificação de três perfis cerebrais distintos, denominados de biotipos, pode revolucionar as abordagens terapêuticas para o TDAH.
Os biotipos identificados
O primeiro biotipo, que é o mais grave, apresenta desregulação emocional e maiores dificuldades para lidar com frustrações. O segundo, predominantemente hiperativo/impulsivo, mostrou melhoras na regulação emocional ao longo do tempo. Já o terceiro biotipo é caracterizado pela desatenção, com alterações cerebrais mais localizadas, sugerindo uma resposta potencialmente mais eficaz a certas intervenções.
Essas descobertas são particularmente relevantes, pois foram obtidas sem a utilização de dados clínicos, baseando-se apenas nas análises cerebrais. Essa nova abordagem pode levar a um entendimento mais preciso do TDAH e possibilitar tratamentos mais direcionados, considerando as especificidades de cada biotipo. Especialistas acreditam que essa pesquisa pode abrir caminho para terapias mais eficazes e personalizadas no futuro.