Um estudo recente revelou que quase metade dos estudantes brasileiros não reconhece a presença de debates sobre desigualdade racial nas escolas. De acordo com a pesquisa, realizada em parceria com o Núcleo de Pesquisa Afro do Cebrap, cerca de 50% dos alunos do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio afirmaram não ter contato com tais discussões, mesmo com as leis que instituem o ensino sobre história e cultura africana e indígena.
A pesquisa, intitulada "Desigualdade racial na Educação Básica: a percepção de estudantes e professores a partir do Saeb 2023", foi divulgada recentemente e destaca que a educação antirracista ainda não se tornou uma experiência comum nas salas de aula. Segundo a socióloga Flávia Rios, da USP, embora a legislação exista, sua aplicação é inconsistente e depende de iniciativas isoladas.
Desafios enfrentados nas escolas
Flávia Rios também destacou que a falta de monitoramento das políticas públicas educacionais contribui para a desuniformidade na aplicação das leis. A pesquisa apontou um descompasso entre o que os professores afirmam ensinar sobre desigualdade racial e o que os alunos reconhecem. Enquanto 81,6% dos docentes dizem abordar o tema com frequência, menos de 50% dos alunos confirma essa percepção.
Os dados também revelaram que a percepção sobre a abordagem das desigualdades raciais varia entre escolas públicas e privadas, sendo que os estudantes de instituições privadas reportaram uma maior ausência do tema. Além disso, a pesquisa indicou que as pessoas brancas tendem a reconhecer menos o debate racial em comparação a estudantes negros e pardos.