Uma pesquisa inovadora revelou que é possível prever o câncer de pulmão através de exames de sangue, identificando 14 proteínas que podem antecipar o diagnóstico da doença. Este estudo, realizado com o apoio de instituições britânicas, tem o potencial de ampliar o rastreamento do câncer, que atualmente se concentra em fumantes e pessoas acima de 50 anos.

Método baseado em aprendizado de máquina

A equipe de cientistas utilizou dados do UK Biobank, envolvendo mais de 48 mil participantes, para desenvolver um algoritmo que identifica uma assinatura de inflamação no plasma sanguíneo. Essa abordagem vai além dos métodos tradicionais, que consideram apenas a idade e o histórico de tabagismo.

Descoberta de proteínas-chave

O estudo, publicado na revista Cell, demonstrou que essas 14 proteínas são capazes de prever o câncer de pulmão com até cinco anos de antecedência. Tej Pandya, estudante de doutorado da UCL, destacou a importância da validação da assinatura em diversos conjuntos de dados globais, reforçando sua eficácia em diferentes populações, incluindo não fumantes.

Importância da inflamação pulmonar

A pesquisa também revelou que a assinatura proteica está relacionada a um pulmão inflamado, e não diretamente ao tumor. A identificação precoce dessa inflamação pode permitir intervenções antes que a doença se instale. Hayley Brown, da Cancer Research UK, enfatizou que essa descoberta pode transformar a forma como lidamos com o câncer de pulmão.

Relação com outras doenças

Além do câncer de pulmão, a inflamação identificada foi observada em pacientes que desenvolveram outras condições respiratórias graves, como fibrose pulmonar idiopática. Isso sugere que uma inflamação pulmonar comum pode ser um precursor de diversas patologias ligadas à idade.

Impacto da poluição do ar

A pesquisa ainda investigou o impacto da poluição do ar, que estimula a liberação de interleucina-1 beta, um sinal inflamatório. Este processo pode ativar células com mutações, aumentando o risco de desenvolvimento de câncer. Experimentos em camundongos mostraram que bloquear essa interleucina pode reduzir a formação de tumores.

Futuro da medicina preventiva

Os cientistas acreditam que essa pesquisa é uma prova de conceito para futuras terapias preventivas contra o câncer de pulmão. Com o aprimoramento das técnicas de detecção, a medicina poderá intervir antes que a doença se instale de forma definitiva, oferecendo novas esperanças na luta contra o câncer.