O estreito de Hormuz, situado entre o Irã e a Península Arábica, é uma das rotas mais estratégicas do comércio internacional. Desde 28 de fevereiro, o bloqueio imposto pelo Irã em resposta a ataques de Israel e Estados Unidos provocou uma crise de abastecimento que impactou diversos mercados, incluindo combustíveis e alimentos.

Acordo de Paz e Reabertura

No último domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que um acordo de paz foi alcançado com o Irã, visando encerrar os conflitos na região. As negociações incluem um memorando que pode levar à reabertura do estreito, fundamental para o transporte de petróleo e outros produtos.

Importância do Estreito

O estreito de Hormuz é responsável por cerca de 20% do petróleo bruto mundial. Países como Irã, Iraque, Kuwait, Qatar e Bahrein dependem dessa passagem para exportar sua produção. Embora Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos possuam rotas alternativas, estas são menos eficientes.

Impacto nos Preços

Durante o bloqueio, o preço do petróleo teve um aumento significativo, com o barril de Brent subindo de US$ 72,4 para US$ 118,3 em março. Apesar de uma leve queda nos preços entre maio e junho, os valores não retornaram aos níveis anteriores ao bloqueio.

Produtos Afetados pelo Bloqueio

Além do petróleo, o estreito é vital para o transporte de gás natural liquefeito, fertilizantes, produtos químicos e grãos. O Qatar e os Emirados Árabes Unidos respondem por mais de 20% das exportações mundiais de GNL, enquanto 44% da produção global de fertilizantes com enxofre também depende dessa rota.

Dependência do Brasil

O agronegócio brasileiro é particularmente vulnerável a esses choques, com aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados no país sendo importados. Além disso, 23,4% das exportações de frango brasileiro são destinadas a países da região do Golfo, impactando diretamente o mercado nacional.