A trajetória de Erasmo Braga Coutinho Vieira na corrida começou aos 14 anos, quando ingressou como office-boy na Nitro Química, em São Paulo. No clube de regatas, ele se apaixonou pela corrida e, devido ao seu talento, ganhou uma bolsa de estudos no Liceu Eduardo Prado, onde se formou técnico químico e trabalhou como ajudante de laboratório, eventualmente se tornando chefe do setor na Rhodia.

Retorno às Competições

Após casar em 1956 e ter três filhos, Erasmo afastou-se das competições, mas nunca deixou de se exercitar. Em 1982, decidiu retornar às corridas e dedicou-se às maratonas, estabelecendo um recorde brasileiro nos 800 metros em 2019, na categoria 90 anos, completando a distância em menos de cinco minutos. Ele continuou correndo até os 93 anos, quando, por orientação médica, diminuiu o ritmo, mas ainda caminhava entre oito e dez quilômetros diariamente.

Última Maratona e Conquistas

Sua última maratona aconteceu quando ele tinha 88 anos, e Erasmo acumulou vitórias em campeonatos brasileiros até os 92 anos. Sua nora, Adriana Silva, destaca que ele estabeleceu recordes em distâncias de cinco e dez quilômetros após os 70 anos e foi campeão sul-americano em sua faixa etária.

Postura e Filosofia de Vida

Mesmo quando voltava do supermercado, Erasmo preferia caminhar, rejeitando ofertas de carona. Segundo a amiga Eliane de Carvalho, ele sempre se mostrava ativo e autônomo, enfatizando a importância de manter uma postura positiva em relação à vida e aceitando a idade avançada como um exercício de quem valoriza cada momento.

Um Exemplo para Todos

Para o amigo Rodrigo Bageli, Erasmo era uma fonte de inspiração. Ao vê-lo correr, ele se sentia motivado a melhorar sua própria postura e a deixar de lado as reclamações. O modo como Erasmo encarava a vida e os desafios da idade era um verdadeiro impulso de vida.

Legado e Despedida

Nascido em Fundão, no Espírito Santo, Erasmo teve uma infância simples, ajudando a família desde cedo. Depois de se aposentar, dedicou-se a plantar milhares de árvores em seu sítio em Mogi Guaçu, contribuindo para a recuperação de nascentes. Ele faleceu em 22 de abril, aos 97 anos, durante uma cirurgia no fêmur, após uma queda ao sair para caminhar. Deixa sua esposa Elenice, duas irmãs, três filhos, quatro netos e dois bisnetos, além de um legado de amor e resiliência.