A Universidade de Brasília (UnB) foi uma das pioneiras na implementação do sistema de cotas raciais, que visa promover a inclusão social. As bancas de heteroidentificação, criadas para garantir a autenticidade das autodeclarações de candidatos, têm se tornado essenciais nesse processo.

Objetivo das bancas de heteroidentificação

Estabelecidas pela Lei de Cotas sancionada em 2012, essas bancas têm como função evitar fraudes nas autodeclarações de candidatos que buscam vagas destinadas a pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas. Desde 2018, o governo federal regulamentou o procedimento de heteroidentificação para assegurar que a política de cotas atenda às demandas sociais.

Conceito de heteroidentificação

O conceito de heteroidentificação refere-se à avaliação feita pelo “olhar do outro”, onde a análise se concentra nas características físicas dos candidatos, como tom de pele e traços faciais. Esta abordagem ignora a autodeclaração, focando na percepção social da raça, conforme explica o professor Rodrigo Ednilson de Jesus, da UFMG.

Composição das bancas

As bancas são formadas por membros de diferentes perfis, incluindo professores e estudantes, e devem ser compostas de forma diversa. A legislação determina que haja uma representação equilibrada entre gêneros e etnias. Todos os integrantes precisam passar por treinamentos sobre questões raciais antes de participar.

Processo de avaliação

As bancas, geralmente compostas por cinco pessoas, realizam suas análises após o processo seletivo. A avaliação é visual, com duração média de três minutos, e é recomendada a sua realização de forma presencial. O candidato pode contestar a decisão, podendo solicitar uma análise adicional por outra comissão.

Controvérsias e desafios

A subjetividade nas decisões das bancas gera polêmica, como demonstram casos recentes, incluindo a exoneração de uma servidora do Itamaraty por não ser aprovada na avaliação. Especialistas defendem que a heteroidentificação pode ser problemática, e há um chamado por revisões nos procedimentos para garantir maior precisão e justiça nas decisões. Além disso, a diversidade regional nas bancas é um desafio a ser superado, visto que a percepção de raça pode variar significativamente no Brasil.