O problema do endividamento entre as famílias de Minas Gerais permanece grave e impacta diretamente a saúde financeira dos lares. Em Belo Horizonte, uma pesquisa revelou que 88,5% das famílias estão com dívidas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e analisada pela Fecomércio-MG. Embora tenha havido uma leve redução de 1 ponto percentual em relação ao mês anterior, o número ainda é alarmante.

O Papel do Cartão de Crédito

O cartão de crédito se destaca como o principal responsável pelo endividamento na capital mineira, presente em 97% dos casos. A economista Gabriela Martins, da Fecomércio-MG, comenta que o uso do cartão mudou, passando a ser visto muitas vezes como uma extensão da renda mensal. Isso eleva o risco de descontrole financeiro, especialmente em um cenário de juros altos.

Inadimplência Crescente

A situação se agrava ainda mais ao analisar a inadimplência: 63% das famílias em Belo Horizonte possuem contas em atraso, um aumento de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior. O cenário é mais crítico entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, onde 65,1% enfrentam dificuldades financeiras, em comparação a 50,3% nas famílias com maior poder aquisitivo.

Tempo de Atraso e Impacto Financeiro

O tempo de atraso das dívidas também é alarmante. Entre os inadimplentes, 43,9% estão com contas vencidas há mais de 90 dias, e o atraso médio em Belo Horizonte atinge 60,4 dias. Essa situação resulta em um comprometimento da renda familiar, que, em média, estará afetada por 8,1 meses devido às dívidas. Em 83,2% dos casos, as dívidas consomem mais de 10% da renda mensal.

Contexto Nacional

Este panorama em Belo Horizonte reflete a realidade em todo o Brasil, onde o endividamento das famílias alcançou 80,9% em abril de 2026, marcando um quarto recorde consecutivo. A inadimplência também cresceu, com 83,3 milhões de pessoas negativadas, a maior marca já registrada pelo Serasa.

Fatores e Recomendações

Economistas apontam que a combinação de juros altos, aumento nos preços dos combustíveis e incertezas internacionais estão pressionando o custo de vida. Isso leva as famílias a utilizarem crédito para despesas básicas. Gabriela Martins ressalta a importância do planejamento financeiro para evitar novos endividamentos. É fundamental que os consumidores busquem renegociar dívidas e priorizem o equilíbrio orçamentário.