Um evento histórico na observação de aves ocorreu na Reserva Ecológica Cunhataí Porã, em Mato Grosso, onde um guia de turismo e um grupo de turistas colombianos tiveram a sorte de avistar, em um intervalo de apenas seis minutos, duas das aves mais raras do Brasil: o tiê-bicudo (Conothraupis mesoleuca) e a harpia (Harpia harpyja).
Um encontro surpreendente
O guia Lucas Souza, que conduzia os turistas junto ao proprietário da reserva, conhecido como 'Gauchinho', ficou emocionado ao registrar a presença simultânea dessas espécies. O tiê-bicudo, criticamente ameaçado de extinção, é notoriamente difícil de ser avistado, o que torna o encontro ainda mais especial.
O relato do guia
"Foi surreal. Coisa de cinco ou seis minutos. O tiê-bicudo e a harpia são aves raríssimas. Eu fiquei muito feliz, acho que nunca mais vou ver isso na minha vida", declarou Lucas, refletindo sobre a experiência única.
A aparição da harpia
Durante a visita à lagoa, o grupo conseguiu observar três indivíduos da espécie tiê-bicudo. Entretanto, o dia se tornou memorável quando a harpia apareceu inesperadamente, pousando em uma árvore seca na lagoa. "A natureza para, silencia. Só as araras ficaram agitadas", comentou Lucas sobre a mudança no ambiente causada pela presença da grande ave de rapina.
Surpresas adicionais
Além do avistamento das aves raras, o grupo também teve a oportunidade de observar uma anta na reserva. Embora a equipe monitore regularmente as harpias na área, a combinação dos dois avistamentos pegou a todos de surpresa, tornando o dia ainda mais especial.
Importância para o turismo
Para Gauchinho, a presença dessas aves raras eleva a região a um patamar diferenciado no turismo de observação de vida selvagem. "É uma alegria dividir isso com os que prezam pela preservação das florestas. Proporcionar momentos como esse é motivo de muita satisfação", afirmou o proprietário.
Ameaças à sobrevivência
O tiê-bicudo, com uma população estimada entre 250 e 500 indivíduos, enfrenta sérias ameaças devido à degradação de seu habitat, especialmente por conta do avanço de usinas hidrelétricas. A proteção e preservação dessas espécies são fundamentais para garantir sua sobrevivência e a biodiversidade do Brasil.
