O documentário 'Replikka' une tecnologia moderna e tradições indígenas ao contar a história da gruta sagrada de Kamukuwaká, localizada no Mato Grosso. O filme foi reconhecido em vários festivais de cinema no Brasil, Canadá e México, destacando sua relevância cultural e social.

Exibição e reconhecimentos

O curta-metragem será exibido pela primeira vez em São Paulo durante a 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, que ocorrerá entre 28 de maio e 10 de junho. Dirigido pela produtora Heloísa Passos e pelo comunicador Piratá Wauja, 'Replikka' competirá na categoria 'Territórios e Memória'.

Premiações internacionais

No dia 2 de maio, o documentário foi premiado como melhor curta-metragem documental internacional no festival Hot Docs, em Toronto, o que o torna um forte candidato a uma indicação ao Oscar. Anteriormente, em abril, conquistou o prêmio de melhor curta ibero-americano no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México.

A história da gruta

'Replikka' narra a trajetória de perda e renascimento da gruta sagrada, um local significativo para a etnia wauja no Parque Indígena do Xingu. A narrativa aborda temas como resiliência, espiritualidade, memória e identidade, refletindo a luta do povo indígena.

Conflitos e preservação

Em 2018, a comunidade wauja enfrentou um ato de vandalismo que destruiu petróglifos milenares na gruta. Apesar das denúncias, a polícia não conseguiu identificar os responsáveis pela ação criminosa, que ocorreu em um contexto de disputa de terras entre indígenas e fazendeiros do agronegócio.

Iniciativas de preservação

Após o tombamento da gruta pelo Iphan em 2016, os indígenas se uniram ao People’s Palace Projects e à ONG Factum Foundation para criar uma réplica da gruta, utilizando tecnologia avançada em Madri. A réplica, que mede oito metros de largura por quatro de comprimento, chegou à aldeia Ulupewene e está exposta no primeiro museu do Xingu.

Importância cultural

Piratá Wauja, co-diretor do filme, enfatiza a importância de compartilhar a cultura indígena com o mundo. Ele destaca que a gruta é um 'livro vivo', essencial para a identidade e a luta do povo wauja pela preservação de seu território. A cerimônia de inauguração da réplica foi uma oportunidade para celebrar essa luta e a produção do documentário.