No mês de abril, a Dívida Pública Federal (DPF) registrou um aumento de 1,91%, totalizando R$ 8,798 trilhões, conforme os dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (27). Essa alta se deve, em grande parte, à emissão recorde de títulos, especialmente aqueles atrelados à Taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia.

Emissão e Resgates

Em agosto de 2022, a DPF ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 8 trilhões. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF) apresentado em janeiro, a expectativa é que o estoque da DPF chegue a um valor entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o final de 2026. Em abril, a Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) também mostrou crescimento, subindo 1,93%, saindo de R$ 8,302 trilhões em março para R$ 8,462 trilhões.

Apropriação de Juros

No último mês, o Tesouro Nacional emitiu R$ 68,04 bilhões em novos títulos, superando os resgates, principalmente em papéis atrelados à Selic. A apropriação de juros, que totalizou R$ 92,54 bilhões, contribuiu para o aumento do endividamento do governo, uma vez que o governo reconhece mensalmente a correção dos juros sobre os títulos e incorpora esse valor ao total da dívida.

Emissão Recorde

O volume de emissão de títulos da DPMFi em abril foi de R$ 201,09 bilhões, estabelecendo um novo recorde histórico. Essa situação foi impulsionada pela substituição de títulos vinculados à Selic que venceram no mesmo mês, além do lançamento de novos papéis que atenderam à demanda do mercado.

Colchão da Dívida Pública

Após uma queda significativa em março, o colchão da dívida pública, que serve como reserva financeira em momentos de crise, aumentou para R$ 1,091 trilhão em abril. Essa reserva é suficiente para cobrir 8,91 meses de vencimentos da dívida pública, com previsão de R$ 1,649 trilhão em vencimentos nos próximos 12 meses.

Composição da Dívida

A composição dos títulos da DPF registrou mudanças significativas entre março e abril, com aumento da participação dos títulos atrelados à Selic, passando de 47,71% para 48,59%. Os títulos prefixados, por sua vez, apresentaram uma redução de 21,80% para 20,85%. O PAF projeta que os títulos vinculados à Selic devem representar entre 46% e 50% do total até o final do ano.