Menos de um mês após o lançamento do Desenrola Fies, que visa a renegociação de débitos do financiamento estudantil, mais de 96 mil contratos foram formalizados, elevando a pressão sobre o governo Lula para que altere o sistema de cobrança do programa. A alta adesão acendeu críticas sobre a eficácia da medida, que já foi aplicada anteriormente por Jair Bolsonaro.

Reclamações de Estudantes

A repetição da renegociação em um curto espaço de tempo tem gerado descontentamento entre os estudantes que mantêm suas parcelas em dia, que sentem que estão sendo prejudicados. Eles clamam por melhores condições para o pagamento do financiamento, a fim de não serem penalizados por manterem suas obrigações financeiras.

Entidades do setor privado de ensino superior argumentam que o crescente número de inadimplentes a cada nova rodada de renegociação evidencia a necessidade de uma reestruturação do Fies, com um novo modelo de pagamento que atenda as demandas atuais.

Detalhes do Desenrola Fies

O Desenrola Fies é direcionado a cerca de 1 milhão de estudantes que contrataram o Fies até 2017 e estão com pagamentos atrasados há mais de 90 dias. A proposta elimina juros e multas da dívida e oferece 12% de desconto para quem optar pelo pagamento à vista, além da possibilidade de parcelar em até 150 meses.

Para os alunos com dívidas vencidas há mais de 360 dias, o desconto pode chegar a 77% na quitação total da dívida. Aqueles que estão inscritos no CadÚnico podem obter descontos de até 99% sobre o valor consolidado.

Números do Programa

Dados do FNDE mostram que mais de 91% dos contratos renegociados pelo Desenrola Fies receberam ao menos 77% de desconto. A maioria dos contratos renegociados pertence a estudantes fora do CadÚnico, enquanto apenas uma fração significativa obteve o desconto máximo.

Desde o início do programa, o MEC informou que R$ 5,1 bilhões em dívidas estudantis foram renegociados, com R$ 4 bilhões perdoados e cerca de R$ 1,1 bilhão comprometido para pagamento pelos estudantes.

Propostas de Reformulação

Especialistas apontam que o modelo atual do Fies, que foi reestruturado em 2007, não se mostra eficaz, e sugerem que o pagamento do financiamento seja vinculado ao imposto de renda do estudante após a graduação. Essa abordagem, usada na Austrália, poderia oferecer um pagamento proporcional à renda do ex-aluno, evitando a inadimplência por falta de condições financeiras.

Ações Futuras e Expectativas

Em meio a um cenário de reeleição, a equipe econômica de Lula estuda a possibilidade de implementar um novo programa dentro do Desenrola que beneficie os estudantes que estão adimplentes. O MEC, por sua vez, destacou que o objetivo da iniciativa é ampliar as oportunidades de regularização financeira, sem focar exclusivamente em metas de arrecadação.