Uma criança indígena da etnia venezuelana Warao, identificada como Camila Rátia, faleceu em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, devido a um quadro grave de desnutrição. A menina, que tinha apenas 1 ano e 4 meses, estava internada no Centro Materno Infantil desde o dia 25 de maio, quando foi admitida com desidratação e desnutrição crônica.

Internação e estado de saúde

Segundo relatos da voluntária Flávia Gomes, que acompanhou a situação, a criança já apresentava um estado crítico. Após várias paradas cardíacas, Camila não resistiu e faleceu no dia 28 de maio. A família, composta por refugiados venezuelanos, estava vivendo em um acampamento em Betim há cerca de um mês.

Condições da comunidade

O acampamento abriga aproximadamente 70 famílias da etnia Warao, que enfrentam sérias dificuldades em termos de alimentação e saúde. O médico pediatra voluntário, Cícero Augusto Araújo, informou que cerca de cinco crianças estão em situações semelhantes de desnutrição, destacando a inadequação alimentar e a falta de acesso a produtos básicos.

Ações do Ministério Público

Diante da triste situação, a 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Betim instaurou um procedimento administrativo para monitorar as condições de saúde da comunidade indígena. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) emitiu recomendações à Prefeitura para intensificar ações de saúde, incluindo vacinação e visitas domiciliares.

Respostas da Prefeitura de Betim

A Prefeitura de Betim lamentou a morte de Camila e reconheceu a vulnerabilidade social e sanitária enfrentada pelos Warao na ocupação. Segundo a administração municipal, 244 indígenas Warao estão cadastrados na rede de saúde, mas a constante mobilidade das famílias e barreiras culturais dificultam o atendimento.

Medidas futuras

Para lidar com a situação, a Prefeitura pretende formar um comitê intersetorial que avaliará e buscará fortalecer as ações voltadas à saúde e aos direitos da população indígena. A tragédia envolvendo Camila Rátia acende um alerta sobre a necessidade urgente de atenção a essas comunidades vulneráveis.