No último domingo (7), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) executou um plano emergencial de corte de energia que, apesar de considerado eficaz, é visto como uma solução temporária. O mercado clama por medidas mais robustas para lidar com a crescente geração de eletricidade no Brasil.

Incentivos para Armazenamento de Energia

Associações do setor elétrico destacam a importância de implementar incentivos que facilitem o armazenamento de energia. Essa estratégia permitiria que o excesso gerado durante o dia, especialmente em horários de alta insolação, fosse armazenado para uso nas horas de pico, quando a demanda é maior.

Segundo especialistas, é fundamental criar tarifas que reflitam a oferta de energia elétrica, com preços mais acessíveis em períodos de excedente e mais altos durante a necessidade de acionamento de usinas térmicas.

Capacidade de Geração Distribuída

A capacidade de micro e minigeração distribuída (MMGD) no Brasil já ultrapassa 44 GW, representando quase 20% do total de geração elétrica do país. Esse tipo de geração, que inclui painéis solares em residências e pequenas fazendas, pode sobrecarregar o sistema de transmissão se não houver um gerenciamento adequado.

Temendo uma crise na distribuição, o ONS decidiu cortar 1 GW de geração, o que equivale ao consumo de aproximadamente 500 mil residências. Essa foi a primeira vez que o operador restringiu a operação de usinas menores, após já ter cortado nas grandes geradoras.

Riscos e Recomendações do Setor

O ex-diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, alertou que, se a demanda não aumentar e as atuais práticas forem mantidas, a situação poderá se agravar ainda mais. O setor de MMGD defende que, além de incentivos para armazenamento, é essencial substituir as térmicas por soluções mais sustentáveis durante os horários de maior consumo.

Christino Áureo, vice-presidente da ABGD, sugere que a sinalização de preços para incentivar o uso de baterias poderia ser uma solução viável. O objetivo seria promover uma maior eficiência no uso da energia gerada, especialmente em momentos de sobrecarga.

Futuro da Geração Distribuída

A possibilidade de suspender operações de usinas menores foi aprovada pela Aneel em 2025, devido a alertas sobre a segurança do sistema elétrico. O governo já anunciou um leilão para armazenamento de energia, mas isso não resolveria a complexidade da geração distribuída, que é mais difícil de controlar.

Rui Altieri, presidente da Apine, enfatiza que a implementação de tarifas adequadas em outras partes do mundo teve resultados positivos, sugerindo que o Brasil também pode se beneficiar de uma mudança regulatória. A resposta do ONS ao pedido de entrevista ainda não foi recebida até o fechamento desta matéria.