A crise climática se apresenta como o principal desafio que a humanidade já teve que enfrentar, segundo o neurobiologista italiano Stefano Mancuso. Durante a inauguração do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ, ele enfatizou a gravidade da situação, alertando que a espécie humana corre risco de extinção se não houver uma mudança drástica em nossa relação com o meio ambiente.
O alerta de Mancuso
De acordo com Mancuso, a visão antropocêntrica que ignora a interdependência com o reino vegetal é uma das maiores ameaças à sobrevivência do planeta. Ele declarou: "Viver sob uma lógica de monocultura humana é uma ilusão perigosa que pode nos levar ao colapso".
O papel da ciência
Professor da Universidade de Florença, Mancuso criticou aqueles que desconsideram a ciência em debates sobre mudanças climáticas, afirmando que "tratar a ciência como uma mera opinião é uma tremenda estupidez". Ele defendeu que as evidências científicas devem guiar as decisões em relação ao aquecimento global.
Medidas urgentes para as cidades
Como uma solução prática, o neurobiologista sugeriu a renaturalização urbana, propondo a substituição do asfalto por áreas verdes. "Precisamos retirar 20% das ruas pavimentadas para dar espaço às plantas", afirmou, destacando que cidades que implementarem essas mudanças evitarão mortes e gastos futuros significativos.
Exemplos históricos
Mancuso também citou civilizações antigas da Amazônia, que coexistiam harmoniosamente com a floresta, como um exemplo de como a urbanização pode ser feita de forma sustentável. "Essas cidades não destruíam a floresta, mas coexistiam com ela", ressaltou.
Ativismo jurídico
O cientista mencionou ainda a importância do ativismo jurídico para promover mudanças. Segundo ele, processos judiciais contra governos e empresas poluidoras são ferramentas eficazes para alcançar metas climáticas e proteger o meio ambiente.
Nova exposição no CCCS
Durante sua visita ao Rio de Janeiro, Mancuso inaugurou a exposição "Revolução das Plantas", que reúne obras de diversos artistas brasileiros que exploram a relação entre natureza e tecnologia. A mostra é gratuita e está aberta ao público de terça a domingo, das 10h às 17h.
