No último seminário promovido pelo Grupo Lide, o CEO da Azul, John Rodgerson, expressou sua forte desaprovação sobre a possibilidade de aumento da carga tributária no setor aéreo, classificando essa medida como "a coisa mais burra que se pode fazer". Sua declaração surge em meio ao debate sobre os impactos da reforma tributária para a aviação.
Impactos sobre o turismo
Rodgerson argumentou que, ao elevar os impostos, as passagens aéreas se tornam mais caras, o que pode resultar em uma diminuição no número de viajantes. Essa redução, segundo ele, afeta não apenas as companhias aéreas, mas toda a cadeia do turismo, incluindo hotéis, restaurantes, motoristas de aplicativos e pequenos comerciantes.
Reação das companhias aéreas
Durante o mesmo evento, Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, também se manifestou sobre a reforma tributária, descrevendo-a como uma "bomba atômica" para a aviação, a menos que mudanças sejam feitas. Ele destacou que a Latam atualmente paga cerca de R$ 2 bilhões em tributos, um valor que poderia triplicar com a nova legislação.
Diálogo com o governo
Rodgerson mencionou que o governo está aberto ao diálogo e que as companhias aéreas estão buscando uma revisão das regras que afetam o setor. Ele expressou que, embora existam aspectos positivos na reforma, é crucial considerar a aviação como um setor estratégico para o desenvolvimento econômico do país.
Estímulo ao turismo interno
O executivo enfatizou que a aviação deve ser vista como um instrumento para estimular o turismo interno, argumentando que a redução de custos e tributos pode aumentar o número de viagens e movimentar a economia em destinos turísticos. Ele também criticou o alto custo do combustível no Brasil, que é considerado o mais caro do mundo.
Potencial do Brasil no turismo
Rodgerson ressaltou que o Brasil representa apenas 3% dos voos globais, enquanto enfrenta um número elevado de processos judiciais contra companhias aéreas. Ele defendeu a implementação de políticas que incentivem o turismo doméstico, citando que o país ainda não explorou adequadamente seu potencial. Para ele, o Brasil deveria ter níveis de viagens por habitante semelhantes aos de países como Chile, Colômbia e México.
Expansão da aviação brasileira
Por fim, Celso Ferrer, CEO da Gol, concordou com Rodgerson, afirmando que a próxima fase de crescimento da aviação no Brasil dependerá de políticas de desoneração, mencionando programas estaduais que reduzem o ICMS sobre combustíveis de aviação. Segundo Ferrer, essas iniciativas têm estimulado novas rotas e contribuído para o aumento da arrecadação.
