Na última sexta-feira (12/6), catadores de materiais recicláveis realizaram um protesto em frente à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), dando início a uma paralisação por tempo indeterminado. A decisão dos trabalhadores se deve à falta de acordo com a administração municipal, que não atende às suas reivindicações há anos.
Demandas dos catadores
A principal reivindicação dos catadores é a criação de uma remuneração específica pela triagem dos resíduos recicláveis. Essa etapa, considerada fundamental para o processo de reciclagem, atualmente não é paga pela prefeitura. Segundo Maria das Graças Marçal, conhecida como Dona Geralda, cofundadora da Asmare, há cerca de três anos aguardam por essa promessa, sem que medidas concretas tenham sido tomadas.
A suspensão das atividades pode impactar a coleta de recicláveis em diversas regiões da cidade. Em comunicado, as cooperativas alertaram que os materiais separados pelos moradores podem não ser recolhidos durante a paralisação.
Importância da triagem
A triagem é o processo em que os catadores separaram, classificam e organizam os materiais recicláveis. Essa etapa é crucial, pois permite identificar o que pode ser reaproveitado e preparar os resíduos para venda. Contudo, mesmo sendo essencial, os trabalhadores não recebem remuneração por essa atividade, dependendo apenas da venda dos recicláveis para complementar sua renda.
Os catadores destacam que a instabilidade nos preços do mercado é um dos principais desafios enfrentados. Dona Geralda afirma que, ao garantir o pagamento pela triagem, seria possível melhorar a renda dos trabalhadores e contratar mais pessoas para o serviço.
Impasse com a prefeitura
As cooperativas também estão exigindo um reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de coleta seletiva, uma demanda que já foi apresentada desde 2021. De acordo com os catadores, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) havia afirmado, em fevereiro de 2025, que havia recursos disponíveis para a contratação do serviço de triagem, mas desde então não houve avanços concretos.
No comunicado, as associações enfatizaram que a paralisação é uma medida extrema devido à falta de respostas do poder público. Mesmo assim, as organizações afirmam estar abertas ao diálogo para encontrar soluções que garantam a continuidade da coleta seletiva em Belo Horizonte.
Próximos passos
Apesar da paralisação, os catadores pedem que a população continue separando os materiais recicláveis corretamente, pois isso facilitará a retomada do serviço assim que um acordo for alcançado. Até o momento, os manifestantes relataram dificuldades em se reunir diretamente com o prefeito, que delegou a interlocução à SLU. Dona Geralda expressou a insatisfação dos trabalhadores, ressaltando que a negociação deve ocorrer diretamente com o prefeito, que fez as promessas.
