O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) confirmou em João Pessoa que a Paraíba será o estado escolhido para abrigar os dois primeiros computadores quânticos operacionais do Brasil. As máquinas terão capacidades de 20 e 100 qubits, números considerados expressivos para o atual estágio da tecnologia no país e que colocam o estado nordestino no centro de uma das fronteiras mais avançadas da ciência mundial.

O anúncio integra o lançamento do Centro Internacional de Computação Quântica da Paraíba (CIQUANTA-PB), apresentado pelas autoridades como um marco para a soberania e a autonomia tecnológica nacional. A iniciativa busca reduzir a dependência externa em uma área estratégica e ampliar a presença brasileira em pesquisas de ponta.

Investimento de R$ 200 milhões

O CIQUANTA-PB contará com um aporte total estimado em R$ 200 milhões. Desse valor, R$ 140 milhões serão investidos pelo Governo da Paraíba e R$ 60 milhões virão do Governo Federal. A estrutura vai conectar infraestrutura científica avançada a pesquisas aplicadas em áreas como inteligência artificial, saúde, segurança digital e desenvolvimento de novos materiais.

O novo centro também dará origem a um Hub Nacional de Experimentação Quântica, com a proposta de compartilhar laboratórios e conhecimento entre pesquisadores de diferentes instituições. Entre os objetivos mais ambiciosos, segundo as autoridades, está o avanço rumo à fabricação própria de chips quânticos, o que inseriria o Brasil na disputa global por componentes estratégicos.

R$ 20 milhões para capacitação

De forma paralela, o governo lançou o Projeto Residência em Tecnologias Quânticas – Qualificação e Empreendedorismo de DeepTechs Nacionais. Com aporte de R$ 20 milhões ao longo de 36 meses, o programa vai oferecer 156 bolsas de estudo e pretende capacitar cerca de 500 profissionais, estudantes e pesquisadores nas áreas de computação quântica, microeletrônica e semicondutores.

Vinculada à Iniciativa Brasileira para Tecnologias Quânticas (IBQuântica), a residência terá atividades distribuídas em seis cidades: João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Goiânia (GO) e Campinas (SP). A descentralização geográfica é apontada como uma forma de espalhar conhecimento e estimular polos regionais de tecnologia.

Descentralização dos investimentos

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que a ação consolida a estratégia de descentralizar os investimentos científicos no país. Entre 2023 e 2025, o MCTI destinou R$ 513,5 milhões à Paraíba, valor quase três vezes superior ao registrado no período de 2019 a 2022. Embora o ministério não tenha divulgado a data exata em que as máquinas estarão em pleno funcionamento, o projeto está alinhado às metas da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) e da Estratégia Brasileira para a Transformação Digital (E-Digital).

O movimento ocorre em meio a um esforço mais amplo de fortalecimento da infraestrutura digital brasileira. O país já é o 12º colocado mundial em volume de data centers e tem investimentos previstos de US$ 3 trilhões para os próximos cinco anos, reforçando a aposta nacional em tecnologias de fronteira e na ampliação da sua capacidade computacional.