Especialistas em relações internacionais analisam que o Brasil, assim como no episódio do tarifaço de 2025, possui alternativas para negociar diante da nova ameaça de tarifas impostas pelos Estados Unidos. A situação atual destaca a possibilidade de o Brasil utilizar seu acesso a recursos estratégicos como uma forma de barganha.

Impacto das novas tarifas

Conforme informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, cerca de 20% dos produtos brasileiros exportados para os EUA estão sob risco de taxação. Essa lista inclui itens como cimento, máquinas, madeira, pneus e equipamentos de engenharia, que juntos representam uma significativa parte das exportações brasileiras.

Produtos poupados e a estratégia americana

Por outro lado, produtos que são de grande interesse americano, como café, carnes, aeronaves e terras raras, foram excluídos das novas tarifas. O professor Vinícius Rodrigues, da FAAP, destaca a importância estratégica dos metais raros, especialmente no contexto da competição tecnológica com a China. Acesso a esses materiais pode ser uma alavanca para o Brasil nas negociações tarifárias.

Cenário de tarifas e reações do mercado

O novo ciclo de tarifas representa uma escalada nas tensões comerciais iniciadas por Donald Trump, que, em 2025, já havia imposto tarifas sobre o aço e outros produtos brasileiros. As reações do mercado foram rápidas, com as exportações inicialmente aumentando para antecipar as novas medidas, mas logo caindo a níveis preocupantes após a implementação das taxas.

Lições do tarifaço de 2025

Especialistas apontam que a experiência anterior deixou lições valiosas. A expansão de acordos comerciais e a criação de canais de diálogo entre empresários brasileiros e americanos são estratégias que podem ser decisivas. Além disso, a pressão de consumidores nos EUA, que também enfrentam os efeitos das tarifas, pode influenciar as decisões políticas.

Perspectivas futuras e eleições de 2026

Com as eleições americanas previstas para novembro de 2026, há a possibilidade de que mudanças no Congresso influenciem a política tarifária. O professor Oliver Stuenkel ressalta que a pressão de deputados sobre o governo pode ser um fator importante nas negociações. A expectativa é de que o Brasil busque alternativas que garantam um resultado mais favorável no cenário comercial.