O Brasil está intensificando a vigilância de vacinas após a identificação de eventos adversos associados à vacina contra dengue do Instituto Butantan. Isso se deu com a publicação da Portaria 11.244, no dia 10 de junho de 2026, que atualiza as diretrizes do Centro Nacional de Monitorização de Medicamentos (CNMM).
Novas Diretrizes de Vigilância
A nova portaria amplia o escopo das ações do CNMM, que antes focava apenas em medicamentos, agora incluindo vacinas no monitoramento de segurança. Este sistema foi criado em 2001, durante a gestão de José Serra, e segue sob a supervisão da Gerência de Farmacovigilância da Anvisa.
Interrupção do Uso da Vacina
No dia 8 de junho, o Ministério da Saúde decidiu suspender o uso da vacina Butantan-DV no Sistema Único de Saúde (SUS). Esta decisão foi motivada pela identificação de 42 episódios de reações adversas severas, entre os quais três casos graves que resultaram em mortes. Contudo, ainda não existem evidências que vinculem os óbitos diretamente à vacinação.
Reação da Comunidade Científica
A epidemiologista Carla Domingues, que liderou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) entre 2011 e 2019, considera a nova medida como oportuna e necessária. Ela menciona que a farmacovigilância do Brasil evoluiu e está mais robusta, permitindo uma resposta rápida a eventos adversos.
Padronização Internacional
Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, ressalta que a atualização das diretrizes é uma adequação aos padrões internacionais. Antes, a notificação de eventos adversos era passiva e dependia de um volume considerável de casos para ser reportada. Com as novas diretrizes, espera-se padronizar o fluxo de informações e melhorar a comparação com outras vacinas.
Colaboração e Monitoramento Contínuo
A farmacovigilância de vacinas no Brasil é uma tarefa conjunta do PNI e da Anvisa, com participação ativa de profissionais de saúde e laboratórios. A nova portaria estabelece que o Departamento do Programa Nacional de Imunizações colaborará com o CNMM, focando na vigilância epidemiológica de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação (Esavi) e na transmissão dos dados para o Uppsala Monitoring Centre, na Suécia, que é um centro colaborador da OMS para o monitoramento de medicamentos.
