A China anunciou oficialmente o reconhecimento do Brasil como um país livre de febre aftosa sem vacinação. O comunicado foi emitido pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) e pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA), e publicado no site da GACC. Segundo o documento, a partir de agora, a proibição da febre aftosa no norte do Brasil está suspensa, e todo o território brasileiro é considerado livre da doença.
Impactos no Comércio
A decisão tem o potencial de expandir o comércio de proteínas brasileiras com a China. O governo brasileiro recebeu a notificação na madrugada desta terça-feira, 2, e o comunicado é datado de 29 de maio. Este reconhecimento é um passo importante, uma vez que o Brasil já pleiteava esse status desde que, em junho do ano passado, foi declarado livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
O fortalecimento da demanda foi impulsionado por uma missão recente do ministro da Agricultura, André de Paula, à China, em maio, que também abordou medidas compensatórias relacionadas à carne bovina. A conquista do reconhecimento permite ao Brasil avançar nas negociações com novos mercados, especialmente nas áreas de suinocultura e pecuária bovina.
Novas Oportunidades de Exportação
As tratativas bilaterais estão em andamento para abrir o mercado chinês a diversos produtos, incluindo miúdos suínos internos, carne bovina com osso e até mesmo a vesícula biliar bovina, que é utilizada na indústria farmacêutica. Esses produtos necessitam do status de livre de febre aftosa sem vacinação, o que agora é possível.
Além disso, a exportação de carne suína e miúdos suínos externos, que atualmente é restrita a Santa Catarina, pode ser ampliada para outros estados, possibilitando que frigoríficos já habilitados para o comércio exterior possam se beneficiar dessa nova realidade. O setor de couros também deve ser favorecido, com a exportação de couro wet blue para a China sendo facilitada, eliminando a necessidade de certificados específicos.
Reconhecimento Adicional
Vale destacar que essa medida se soma ao reconhecimento anterior da China, que classificou o Brasil como de “risco negligenciável” para a encefalopatia espongiforme bovina (EEB), ou “mal da vaca louca”. Esse status foi comunicado ao Brasil em fevereiro e é um fator considerado essencial para a ampliação das exportações de proteínas.
Com esses dois reconhecimentos sanitários, o Brasil está em uma posição favorável para avançar nas exportações de carne com osso, miúdos suínos e bovinos, e vesícula biliar bovina. A China é o principal destino das carnes brasileiras, com um volume de embarques que alcançou 2,057 milhões de toneladas em 2025, gerando receitas significativas para o agronegócio brasileiro, segundo dados do Agrostat.
