A farinha de alga marrom Sargassum filipendula, utilizada na produção de biscoitos sem glúten, demonstrou aumentar significativamente o valor nutricional e a digestibilidade dos produtos. Essa descoberta é resultado de uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicada no periódico Food Research International.

Pesquisa inovadora

O estudo, conduzido por Bruna Lago Tagliapietra em seu pós-doutorado, sob supervisão da professora Maria Teresa Pedrosa Silva Clerici, envolveu a colaboração de especialistas da Espanha. A escolha das algas marinhas se dá por seu alto valor nutritivo e sustentabilidade, pois não competem por terras agrícolas e não requerem água doce.

Potencial do Brasil

O Brasil, com sua extensa costa de mais de 8.600 quilômetros, apresenta um excelente potencial para o cultivo de algas. A Sargassum filipendula é particularmente abundante na costa rochosa de São Paulo, o que reforça a viabilidade econômica e social da cadeia produtiva. Essa pesquisa destaca a importância das algas como uma fonte alimentar promissora.

Processo de pesquisa

Na pesquisa, amostras foram coletadas na Praia das Cigarras, no litoral paulista, e processadas em laboratório. As algas foram secas, moídas e utilizadas na fabricação de biscoitos, com uma versão contendo 1% de farinha de algas e outra apenas com farinha de arroz. Os biscoitos foram analisados quanto à composição e propriedades tecnológicas.

Resultados significativos

Os resultados mostraram que a adição de Sargassum filipendula aumentou o teor de compostos fenólicos e a atividade antioxidante, mesmo em pequenas quantidades. Isso sugere que a alga pode ser um ingrediente valioso na indústria alimentícia, especialmente em produtos voltados para melhorar a nutrição.

Desafios e futuro

Embora os resultados sejam promissores, ainda existem desafios a serem superados antes da aplicação em larga escala, como a padronização do ingrediente e a realização de avaliações sensoriais. A professora Tagliapietra acredita que estamos em uma fase de transição para a prática, com potenciais benefícios significativos para indivíduos com restrições alimentares.