Barbacena, em Minas Gerais, dá um passo significativo na história da saúde mental ao fechar as portas do antigo Hospital Colônia, encerrando 115 anos de uma era marcada por violações de direitos e sofrimento. Na última segunda-feira, os 14 últimos pacientes internados foram transferidos para residências terapêuticas, onde receberão cuidados mais humanizados e dignos.

Fim de um ciclo doloroso

O Hospital Colônia, inaugurado em 1903, evoluiu de um sanatório para um dos maiores manicômios do Brasil. Com picos de superlotação, chegou a abrigar até 3.500 pacientes ao mesmo tempo. Entre 1942 e 2020, mais de 40 mil pessoas passaram pela instituição, com um número alarmante de mortes e internações por razões consideradas absurdas atualmente.

A história do local, que simboliza um modelo assistencial de exclusão, é parcialmente preservada no Museu da Loucura, que serve como um alerta sobre os perigos do isolamento social. O enfermeiro Dr. Mário Antônio Resende acompanhou de perto a desinstitucionalização dos pacientes e expressou sua alegria ao ver essa fase chegar ao fim.

Novo começo para os pacientes

Os 14 pacientes transferidos, alguns com mais de 70 anos e diversas comorbidades, haviam passado em média 49 anos internados. Com a mudança, eles terão a oportunidade de viver com mais dignidade em um ambiente familiar. O Complexo Hospitalar de Barbacena continuará oferecendo serviços de saúde, mas agora com foco em atendimento de alta complexidade e leitos psiquiátricos para casos agudos.

O fechamento do Hospital Colônia é um marco importante para a saúde mental em Minas Gerais. Com investimentos significativos em saúde mental, o governo estadual busca garantir cuidados em liberdade, respeitando a dignidade dos pacientes e marcando o início de uma nova etapa para aqueles que viveram sob o regime manicomial.