No dia 25 de maio, Barbacena deu um passo histórico ao fechar as portas do Centro Hospitalar Psiquiátrico, antigo Hospital Colônia, encerrando 115 anos de uma história marcada por sofrimento e violações de direitos. A transferência dos últimos 14 pacientes remanescentes para uma residência terapêutica simboliza o fim de um modelo assistencial que priorizava o isolamento.
Um marco para a saúde mental
O enfermeiro intensivista Dr. Mário Antônio Resende, que acompanhou de perto esses pacientes ao longo de sua carreira, destacou a importância desse momento: "É o fim de uma era. Encerramos um ciclo de privação de liberdade para que ninguém mais viva dessa forma". Este ato representa uma mudança significativa na abordagem da saúde mental no Brasil.
História de dor e superlotação
Inaugurado em 1903 como Sanatório de Barbacena, o local se transformou em 1911 no primeiro hospital psiquiátrico público de Minas Gerais. Durante seu auge, abrigou até 3.500 pacientes ao mesmo tempo, e entre 1942 e 2020, cerca de 40 mil pessoas passaram por suas instalações, com mais de 24 mil óbitos registrados.
Testemunho de transformação
Dr. Resende enfatizou o cuidado que esses pacientes receberam nos últimos anos. A média de permanência deles foi de 49 anos, com muitos internados desde a infância. Agora, eles terão a oportunidade de viver com dignidade, recebendo acompanhamento em um ambiente familiar.
Um novo modelo de cuidado
Desde 2019, o Governo de Minas, através da Secretaria de Estado de Saúde, iniciou um processo de desinstitucionalização que já permitiu a alta de 68 pacientes para serviços residenciais terapêuticos. Os 14 últimos representam o fechamento definitivo dos leitos de longa permanência no antigo manicômio.
Investimentos em saúde mental
O Governo de Minas aplicou mais de R$ 718 milhões em saúde mental nos últimos anos, com um investimento de R$ 100 milhões previsto para 2025. A transformação do antigo manicômio em um espaço de dignidade e cuidado reflete a nova abordagem que prioriza a liberdade e respeito aos direitos humanos.
