No último dia 15, a American Airlines e a Azul submeteram ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) um parecer em que alegam que a aquisição de 8% da Azul pela companhia americana não resulta em diminuição da concorrência entre elas. O documento, elaborado pelo economista Thiago Caliari com o apoio da LCA Consultoria, aponta que a união pode, na verdade, ser benéfica para o setor aéreo.
Benefícios da Parceria
Os consultores afirmam que a parceria entre as duas empresas pode fortalecer financeiramente a Azul, especialmente em um momento de recuperação após a saída do Chapter 11, processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. A justificativa é que a participação acionária da American Airlines é insuficiente para provocar uma redução significativa da rivalidade no mercado.
Críticas e Questionamentos
O parecer foi apresentado em resposta a questionamentos de três entidades, incluindo o grupo Abra, que controla a Gol e a Avianca. Essas entidades argumentam que a fusão das companhias prejudica sua competitividade no setor. Em particular, a Abra apresentou pareceres que sustentam que a operação poderia enfraquecer a independência concorrencial da Azul.
Concorrência e Tarifas
Os consultores também destacam que as rotas operadas pelas duas companhias entre o Brasil e os Estados Unidos não se sobrepõem. A American Airlines opera voos para grandes cidades como Dallas e Miami, enquanto a Azul conecta cidades menores a destinos como Fort Lauderdale e Orlando. Assim, acreditam que qualquer tentativa de aumento de tarifas por parte da Azul não resultaria em benefícios financeiros significativos para a American Airlines.
Regulamentação e Compliance
Em resposta às alegações, a Azul e a American Airlines afirmam que o comitê estratégico da Azul é regido por regras de compliance rigorosas que proíbem a troca de informações sensíveis. Além disso, ressaltam que a American Airlines e a United não têm direitos de veto no colegiado, garantindo que a independência da Azul seja mantida.
Impacto no Mercado
Com a maior malha doméstica do Brasil, a Azul já opera 340 rotas, com uma quantidade significativa de decolagens programadas para 2025. A parceria com a American Airlines é vista como uma estratégia para consolidar um parceiro importante em um momento de fragilidade econômica, permitindo que a Azul continue a expandir seu acesso ao mercado.
