Localizada a cerca de uma hora de Petrolina, em Pernambuco, a Axia Energia está implementando um projeto inovador que promete revolucionar a geração de energia renovável na região. A usina heliotérmica, composta por 247 espelhos que refletem a radiação solar em uma torre de 40 metros, visa maximizar a captação de energia solar e minimizar os cortes que têm afetado o setor.
Desafios e Oportunidades
Rodrigo Vilaça, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento em Renováveis da Axia, destaca que a principal meta da empresa é encontrar soluções que reduzam os cortes involuntários de energia renovável, que causaram prejuízos significativos para as geradoras no Brasil. Em 2025, cerca de 20% da capacidade de geração solar e eólica do país foi cortada pelo ONS, resultando em perdas de R$ 6,5 bilhões.
Tecnologia Inédita no Brasil
A usina heliotérmica, que utiliza tecnologia desenvolvida pela startup australiana RayGen, é uma das pioneiras no Brasil e tem uma capacidade instalada de 1 GW de energia solar. Isso é suficiente para atender aproximadamente mil residências e gerar 2,2 GW de energia térmica, que pode ser utilizada em indústrias locais, incluindo a produção de frutas.
Integração com Novos Consumidores
Na cidade vizinha de Casa Nova, na Bahia, a Axia também está experimentando um sistema elétrico em miniatura, que combina geração solar e eólica, com baterias para armazenamento de energia. Este projeto é direcionado a simular o comportamento do sistema com a entrada de grandes consumidores, como indústrias e data centers, que são essenciais para acomodar o excesso de energia renovável.
Desafios da Conexão à Rede
Apesar da importância desses grandes consumidores, o ONS tem encontrado dificuldades em autorizar a conexão dessas indústrias à rede elétrica, o que complica ainda mais a situação. Um projeto médio de hidrogênio verde, por exemplo, demanda uma carga de cerca de 1,5 GW, semelhante à capacidade da usina nuclear Angra 2.
Impacto Acadêmico e Tecnológico
O minissistema elétrico da Axia já contribuiu para a formação de 15 mestres e 5 doutores, além do desenvolvimento de softwares específicos para o setor. A conexão com parques eólicos da empresa que enfrentam cortes involuntários também é um passo importante para a pesquisa e inovação na área.
Vilaça expressa sua frustração ao observar torres eólicas que se encontram paradas devido aos cortes impostos durante períodos de alta geração solar. "Sempre que venho aqui, dá uma tristeza", afirma, ressaltando a necessidade urgente de soluções para otimizar a geração de energia renovável no Brasil.
