A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a aprovação de uma nova terapia destinada a pacientes com doença de Parkinson em estágio avançado. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira, marcando a primeira inovação nesse tipo de tratamento no Brasil em aproximadamente 15 anos.
Detalhes da nova terapia
O novo medicamento, comercializado sob o nome Vyalev pela farmacêutica AbbVie, combina as substâncias foscarbidopa e foslevodopa, ambas derivadas da levodopa, que é amplamente utilizada para controlar os sintomas motores da doença. Essa terapia se destaca por permitir a infusão subcutânea contínua de levodopa por um período de 24 horas, visando manter níveis mais estáveis do fármaco no organismo.
Com o avanço da doença de Parkinson, muitos pacientes enfrentam a alternância entre períodos em que os sintomas estão controlados, conhecidos como momentos “on”, e fases em que os efeitos do medicamento diminuem, resultando em tremores e rigidez, os períodos “off”. A nova terapia é especialmente recomendada para aqueles que não obtêm resposta satisfatória com os comprimidos tradicionais.
Alternativa cirúrgica
A AbbVie ressalta que este tratamento também se configura como uma opção para pacientes que não podem ou não desejam se submeter à cirurgia de estimulação cerebral profunda, frequentemente indicada em casos avançados da doença. Estima-se que até 60% dos pacientes apresentem contraindicações para o procedimento cirúrgico, devido a comorbidades como demência ou problemas de marcha.
Um estudo de fase 3, que envolveu cerca de 130 pacientes, foi fundamental para a aprovação da Anvisa. Os resultados mostraram que aqueles tratados com a infusão contínua apresentaram melhorias significativas, com aumento no tempo livre de sintomas incapacitantes e redução nos períodos “off”. Os efeitos adversos mais comuns foram leves, como reações no local da infusão e movimentos involuntários.