A empolgação com as figurinhas da Copa do Mundo está em alta, e o ato de trocar essas coleções está se espalhando rapidamente. As solicitações para trocas estão aparecendo em grupos de mães e por meio de e-mails das escolas, que permitem que as crianças levem seus pacotes para troca durante o dia do brinquedo.
O impacto nas famílias
Enquanto a maioria das crianças que coleciona as figurinhas é do sexo masculino, muitas meninas também estão se dedicando a completar seus álbuns, o que tem alterado a rotina das famílias. Mariana Ribeiro, proprietária de uma loja de roupas em Santo André, relata como sua vida se divide entre compromissos e as trocas de figurinhas com seu filho Pedro, de 10 anos.
Mariana menciona que, apesar de ter passado horas em um ponto de troca sem conseguir figuras repetidas, seu filho já acumulou mais de 700 figurinhas. Ela ainda utiliza um aplicativo que ajuda a acompanhar o progresso, que indica que faltam 269 figurinhas para completar o álbum, com um gasto total até agora de R$ 763.
Educação financeira em prática
Luana Bozzatto, gerente de suprimentos, também viu a oportunidade de ensinar seu filho Theo, de oito anos, sobre finanças. Ele teve que arrecadar seu próprio dinheiro para comprar as figurinhas, vendendo abacates que colheu na casa do avô. A experiência ensinou a ele o valor do dinheiro e a importância de compartilhar.
A escritora Malu Lira, conhecida por abordar educação financeira para crianças, acredita que o entusiasmo pela coleção é uma ótima oportunidade para discutir consumo, comportamento e as emoções relacionadas ao dinheiro. Ela destaca que a pressão para completar o álbum rapidamente pode levar a aprendizados sobre comparação e consumo emocional.
Regulamentação nas escolas
Com a popularidade das trocas de figurinhas nas escolas, algumas instituições começaram a estabelecer regras para garantir a ordem e evitar conflitos. Na escola Arbos, em Santo André, por exemplo, foi proibido o método conhecido como "bater bafo", permitindo que os alunos troquem figurinhas somente sob supervisão. Outras escolas também adotaram regras semelhantes para evitar tumultos durante as trocas.
Aprendizados e desafios
A farmacêutica Caroline Coelho compartilha que completar o álbum se tornou um aprendizado valioso para seus três filhos. A família investiu mais de R$ 8.500 para finalizar a coleção, incluindo figurinhas raras. A experiência de compartilhar e interagir durante as trocas foi enriquecedora e ensinou as crianças a lidar com suas emoções.
A psicóloga Lígia Vezzaro Caravieri ressalta que a troca de figurinhas pode desenvolver habilidades como negociação, paciência e respeito. No entanto, ela alerta que pais que tentam acelerar o processo podem impedir que as crianças aprendam a lidar com frustrações e expectativas. Segundo ela, o álbum deve ser visto como uma experiência de aprendizado, não apenas como um resultado final.
