Matheus Menezes, um advogado de 25 anos que possui nanismo, conseguiu reverter na Justiça a sua reprovação nos exames biofísicos do concurso para delegado de polícia. Após uma primeira avaliação em que não atingiu o salto de 1,65 m, ele teve o direito de refazer o Teste de Aptidão Física (TAF), mas novamente foi considerado inapto pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela organização do certame.

Contexto da Reprovação

O resultado da nova avaliação, que ocorreu no dia 15 de maio, ainda está sob análise de recurso administrativo, conforme informou Matheus ao portal. Para ele, não há definição sobre sua situação atual, o que o impede de se manifestar publicamente neste momento.

Defesa e Adaptações

A defesa de Matheus, liderada pelo advogado Flávio Britto, destaca que, embora o teste tivesse que ser adaptado conforme a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), essa adaptação não foi considerada satisfatória. O candidato aguarda agora o resultado do recurso para decidir os próximos passos legais.

Exames do Concurso

Os exames biofísicos são uma parte crucial do concurso, com caráter eliminatório, conforme estabelecido no edital. Eles consistem em uma série de testes que avaliam a aptidão física dos candidatos para o exercício da função policial, incluindo:

  • Flexão de braço;
  • Impulsão horizontal (salto);
  • Corrida de 50 metros rasos;
  • Teste de cooper (12 minutos).

A realização destes testes é justificada pela necessidade de assegurar que todos os candidatos tenham condições físicas adequadas para a função.

Repercussão e Denúncia

O caso de Matheus gerou grande repercussão, especialmente após ele relatar que foi vítima de discriminação durante o processo de seleção. Antes do concurso, ele havia solicitado adaptações para os testes físicos, apresentando laudos médicos que comprovavam sua condição, mas não obteve resposta positiva da FGV.

Posição das Instituições

A FGV defendeu que os exames biofísicos seguiram as diretrizes do edital e que não havia previsão de adaptações. Por outro lado, a Polícia Civil de Minas Gerais reafirmou que os testes são essenciais para verificar a aptidão dos candidatos. Em resposta à eliminação de Matheus, o Instituto Nacional de Nanismo criticou a falta de avaliações individualizadas, que podem resultar em discriminação contra pessoas com deficiência.