A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais tem gerado desconforto entre os membros do PT no estado. A indefinição sobre o palanque para o governo e a desistência de Rodrigo Pacheco (PSB) fazem com que dirigentes da legenda cobrem uma participação mais ativa do presidente na reorganização política local.
Visitas escassas
No segundo maior colégio eleitoral do Brasil, Lula esteve em Minas apenas duas vezes em 2026, sendo a última visita em março. Desde então, sua ausência se intensificou, enquanto o PT enfrenta uma crise de articulação que deixou o partido sem um candidato definido ao Palácio Tiradentes e sem consenso sobre os próximos passos a serem tomados.
Comparativo com 2022
Esse cenário é um contraste marcante em relação a 2022, quando Lula teve uma presença intensa no estado. Durante a pré-campanha, ele passou três dias em Minas, promovendo uma série de eventos em Belo Horizonte, Contagem e Juiz de Fora, que foram considerados estratégicos para fortalecer alianças e impulsionar a campanha presidencial.
Crise interna
Com o tempo, Minas se tornou uma prioridade central na campanha presidencial, mas atualmente a percepção entre os integrantes do PT é a oposta. A ausência do presidente tem gerado uma sensação de desorganização interna, especialmente após a desistência de Rodrigo Pacheco, que levou o PT a reavaliar suas opções de candidatura em Minas.
Mandados e negociações
Apesar da distância, Lula já indicou sua preferência por uma candidatura petista à frente da chapa em Minas, o que gerou discussões internas. No entanto, isso não foi suficiente para resolver as divergências sobre qual nome poderia unir as diferentes correntes do partido e ter viabilidade eleitoral.
Protagonismo local
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconheceu publicamente que a desistência de Pacheco trouxe problemas para o partido, levando dirigentes estaduais a pleitear maior protagonismo do diretório mineiro nas decisões. O descontentamento já existia antes, devido à centralização das decisões na cúpula nacional do partido, o que limitou a atuação das lideranças locais.
Possíveis candidatos
O PT sondou possíveis candidatos como o deputado federal Reginaldo Lopes e a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, mas ambos mostraram resistência. O nome da ex-reitora da UFMG, Sandra Goulart, ganhou força, enquanto figuras externas como Gabriel Azevedo (MDB) e Alexandre Kalil (PDT) não conseguiram se firmar como soluções consensuais até o momento.
Concorrência crescente
Enquanto o PT tenta reorganizar seu projeto em Minas, seus adversários estão intensificando a presença no estado. Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro, por exemplo, estão realizando compromissos políticos na região, enquanto Romeu Zema (Novo) mantém uma agenda ativa, transformando seu governo em uma vitrine política. Esse cenário de concorrência tem alimentado ainda mais o desconforto entre os membros do PT, que sentem que Minas está sendo negligenciada nas prioridades políticas do presidente.
