A Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiu suspender os concursos para a contratação de novos professores, pesquisadores e servidores técnico-administrativos. A reitora Maysa Furlan anunciou a medida nesta segunda-feira (1º), informando que a restrição permanecerá em vigor até pelo menos o período pós-eleitoral, ou seja, até 25 de outubro, caso haja segundo turno.
Justificativas para a suspensão
A decisão foi formalizada em um documento que circulou na última sexta-feira (29) e ocorre em um contexto financeiro delicado, com o orçamento de 2026 já prevendo um déficit de R$ 189 milhões. A Unesp revelou que, juntamente com a USP, a Unicamp e a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, pretende discutir com o governo de São Paulo alternativas para o financiamento das universidades, em vista da transição fiscal que culminará em 2033.
Orçamento em déficit
O Conselho Universitário da Unesp já havia sinalizado, em dezembro de 2025, a expectativa de um déficit significativo para o próximo ano, com despesas estimadas em R$ 4,98 bilhões e receitas previstas de R$ 4,79 bilhões. A maior parte da receita, cerca de R$ 4,38 bilhões, provém da parcela do ICMS destinada à universidade, representando aproximadamente 2,3% da arrecadação total do imposto.
Consequências das contratações
O orçamento aprovado em dezembro previa a continuidade de contratações, com a intenção de adicionar 150 docentes e 100 servidores técnico-administrativos. Contudo, a suspensão das homologações dos concursos impede que essas contratações ocorram, afetando diretamente as políticas de permanência estudantil, que já recebiam um investimento recorde de R$ 110,7 milhões.
Reação dos estudantes
O Diretório Central dos Estudantes da Unesp (DCE-Unesp) criticou a situação financeira das universidades, atribuindo os problemas a questões estruturais no modelo de financiamento. A entidade destacou que a parcela do ICMS destinada às universidades não foi alterada desde 1995, mesmo com a expansão significativa das instituições, que hoje contam com mais campi e alunos.
Greves e mobilização
Estudantes de diversas universidades, incluindo a Unesp, estão em greve há mais de um mês, demandando melhorias na infraestrutura e aumento nos investimentos para políticas de permanência estudantil. Professores também se mobilizaram por melhores condições salariais, evidenciando a necessidade urgente de soluções para os problemas financeiros das instituições de ensino superior.
