A fabricante sueca Saab revelou nesta terça-feira (2) o Gripen F, a nova versão do caça da Força Aérea Brasileira (FAB) que acomoda dois pilotos. Este modelo foi desenvolvido ao longo de cinco anos em colaboração com a Embraer, além de outras empresas como AEL e Akaer, e com o suporte da própria FAB.

Colaboração Brasil-Suécia

O chefe de vendas da Saab, Mikael Franzén, comentou que a parceria com engenheiros brasileiros foi fundamental: "Trabalhamos com 50% de nossos engenheiros e 50% da Embraer e outros", afirmou. O presidente da Saab, Micael Johansson, enfatizou a importância dessa colaboração, que vai além do simples relacionamento entre cliente e fornecedor.

O lançamento do Gripen F ocorreu na fábrica da Saab em Linköping, na Suécia, com a presença do ministro da Defesa brasileiro, José Mucio, que destacou a relação de benefício mútuo entre os países. A formação de mais de 350 engenheiros brasileiros no processo foi um dos marcos dessa parceria, refletindo o compromisso com a transferência de tecnologia.

Desenvolvimento do Gripen F

Diferente do modelo monoposto, o Gripen F foi criado a partir de um pedido específico do Brasil, que exigiu a inclusão de um segundo piloto. Para isso, a aeronave foi estendida em 66 cm, totalizando 15,9 m, mantendo a envergadura de 8,6 m da versão E. A inclusão de um segundo assento e outros sistemas aumentou o peso do avião, mas também resultou na remoção do canhão de 27 mm, reduzindo sua capacidade de combate.

Segundo Johan Segertoft, da unidade Gripen, o maior desafio foi garantir que o segundo piloto pudesse operar de forma independente durante as missões. Johansson ainda lembrou que a parceria com o Brasil é um exemplo do que pode ser feito em projetos internacionais, em contraste com outros programas que enfrentam dificuldades.

Capacidades Futuras e Integração com Drones

Tradicionalmente, caças bipostos são usados para treinamento, mas no caso do Gripen F, o segundo piloto terá um papel crucial em situações de combate, atuando como oficial de manejo de armas e, especialmente, como controlador de drones. Esses drones, conhecidos como "loyal wingman", serão utilizados para aumentar a capacidade de ataque dos caças em missões complexas.

A Saab já realizou voos controlados em parte por inteligência artificial, e essa tecnologia será incorporada ao Gripen. Peter Nilsson, da unidade de Programas Avançados da empresa, afirmou que o Gripen será o núcleo de um sistema integrado com várias plataformas, incluindo drones. A tecnologia de IA permitirá atualizações rápidas, reduzindo o tempo de implementação de novas funcionalidades.