As redes celulares privativas (RCPs) 5G têm o potencial de transformar a indústria brasileira, não apenas digitalizando processos, mas também promovendo a automação. Essa afirmação foi feita por Wilson Cardoso, assessor técnico do Senai, durante o evento 'Redes Privativas 5G na prática', realizado em São Paulo.
Importância do determinismo
Cardoso destacou que a característica de baixa latência e desempenho constante das RCPs é fundamental para as operações industriais. Ele explicou que, para a indústria, a variação na latência, conhecida como jitter, deve ser minimizada, pois a automação exige uma rede quase perfeita. Sem esse nível de determinismo, a indústria consegue apenas digitalizar, mas não automatizar seus processos.
Desafios da mão de obra
O executivo também abordou a questão da escassez de mão de obra no Brasil, que está se agravando devido ao envelhecimento da população. Ele lamentou que o país não tenha aproveitado seu boom demográfico para preparar uma força de trabalho qualificada. No setor de logística, por exemplo, cerca de 90% dos caminhoneiros têm mais de 40 anos, evidenciando a necessidade de inovação tecnológica.
Eficiência global de equipamentos
Os índices de eficiência global de equipamentos (OEE) são uma preocupação crescente. Cardoso mencionou que a média de OEE nos países da OCDE é de 85%, enquanto no Brasil, o setor químico, considerado mais avançado, apresenta números entre 70% e 90%. Outros setores, como o têxtil e farmacêutico, têm índices muito inferiores, entre 45% e 65%.
Benefícios das RCPs
Com a implementação de RCPs, a indústria pode adotar tecnologias como manutenção preventiva, gêmeos digitais e video analytics, que podem aumentar a produtividade e, consequentemente, melhorar o OEE. Essas soluções são cruciais para que as empresas se mantenham competitivas no mercado.
Falta de integradores qualificados
Marco Szili, CEO da Telesys, enfatizou a falta de conhecimento sobre o potencial das RCPs no Brasil, além da escassez de integradores capacitados para implementar esses projetos. Durante o evento no Senai, ele buscou reunir integradores e desenvolvedores para discutir o futuro das RCPs. Um exemplo é a empresa Master, que está interessada em se aventurar nesse setor, especialmente diante da queda na demanda por conectividade satelital.
