A Prefeitura de Ouro Preto anunciou uma intervenção administrativa na Guarda Municipal em resposta a uma crise interna que resultou em exonerações de líderes e um aumento significativo de afastamentos médicos entre os agentes. Essa ação, divulgada pelo prefeito Angelo Oswaldo (PV), designa o corregedor da Guarda, coronel Adriano Carlos Sales, para liderar a corporação pelos próximos 90 dias.
Motivos da Intervenção
De acordo com a administração municipal, a intervenção foi necessária para assegurar a continuidade dos serviços e conter o que eles chamam de "greve branca". Em um vídeo, o prefeito enfatizou a importância de "restabelecer a disciplina" e reorganizar a Guarda Municipal, citando o aumento considerável de atestados médicos apresentados pelos servidores.
Os relatos indicam que, em alguns momentos, até 30 atestados médicos eram registrados semanalmente, o que complicou as operações e a prestação de serviços públicos. No entanto, guardas ouvidos pela reportagem contestam essa narrativa, afirmando que a situação é resultado de meses de desgaste e falta de diálogo com a prefeitura.
Alterações na Escala de Trabalho
Um dos pontos críticos que agravaram a crise foi a alteração na escala de trabalho, que passou a exigir dois dias consecutivos de 10 horas de trabalho seguidos de dois dias de folga, em substituição ao antigo regime de 12 horas de serviço por 36 horas de descanso. Essa mudança, embora apresentada como uma adequação à carga horária semanal, gerou descontentamento e desconfiança entre os agentes.
Os guardas temem que essa nova escala leve a uma redução dos benefícios, especialmente os relacionados à alimentação durante os plantões. Um guarda que preferiu não se identificar mencionou que a mudança foi apenas um estopim para um conjunto de problemas acumulados, incluindo a saída de diversos ocupantes de cargos de chefia na corporação.
Afastamentos e Saúde Mental
A questão dos afastamentos médicos é um ponto de discórdia entre a prefeitura e os guardas. Enquanto a administração sugere que esses afastamentos podem ser uma forma de protesto, os agentes argumentam que estão ocorrendo devido ao estresse e à sobrecarga de trabalho. Um guarda destacou que a saúde física e emocional dos profissionais foi severamente afetada pela falta de diálogo e pela gestão da corporação.
Clima de Insegurança
Após o anúncio da intervenção, o clima entre os guardas se tornou ainda mais tenso. Muitos se sentem receosos de se manifestar sobre a situação atual devido ao medo de represálias. Um agente afirmou que a maioria dos guardas está acuada e relutante em dar entrevistas, temendo punições administrativas.
Objetivos da Administração
Apesar das críticas, a Prefeitura de Ouro Preto afirma que a intervenção não tem uma natureza punitiva. O prefeito Angelo Oswaldo ressaltou que o foco é reconstruir o diálogo entre a Guarda Municipal e o Executivo, além de reorganizar a estrutura administrativa para garantir a continuidade dos serviços à população. Atualmente, a Guarda Municipal conta com 98 agentes e desempenha um papel crucial no monitoramento urbano e na segurança da cidade.
