Um novo estudo intitulado "Juventudes Brasileiras Minorizadas" expõe a realidade de 13 perfis de jovens que enfrentam inúmeras desigualdades no Brasil. Divulgado na última terça-feira (26), o trabalho reúne 14 artigos de especialistas e relatos de jovens que lidam com a falta de acesso a direitos básicos.
Desafios enfrentados
Os jovens vulneráveis enfrentam dificuldades como a interrupção dos estudos, o trabalho informal, a violência urbana e o cyberbullying. Segundo a pesquisa, as desigualdades estruturais ligadas a raça, renda, gênero e território continuam a limitar as oportunidades desses grupos, que incluem jovens negros, indígenas, quilombolas, LGBTQIAPN+, entre outros.
Acesso à educação
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025, existem mais de 46,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil, dos quais 7,9 milhões não concluíram a educação básica. Desses, 70% são negros. Além disso, 11,9 milhões vivem em situação de pobreza, com uma alta taxa de jovens negros e mulheres negras nessa estatística.
Dificuldades específicas nas áreas rurais
O estudo também revela que, nas áreas rurais, 33% dos jovens não concluíram a educação básica, uma taxa que é o dobro da observada nas áreas urbanas. A informalidade do trabalho é uma realidade para 69% dos jovens rurais, enquanto a taxa é de 41% entre os urbanos. A taxa de analfabetismo é três vezes maior entre jovens indígenas comparada aos não indígenas.
Impactos da violência e discriminação
Além das dificuldades educacionais, a pesquisa destaca que jovens negros são vítimas de violência urbana em uma proporção quatro vezes maior que jovens brancos. O estudo também menciona que jovens LGBTQIAPN+ enfrentam agressões que afetam sua permanência na escola, o que reforça a necessidade de políticas públicas que garantam inclusão e proteção.
Trabalho infantil e sua consequência
Outro ponto alarmante é a situação dos adolescentes em trabalho infantil, que enfrentam exclusão escolar e dificuldades de aprendizagem. Em 2024, a PNAD Contínua apontou cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes nessa condição no Brasil. A pesquisa enfatiza a urgência de iniciativas que ajudem a promover a permanência escolar e o acesso a trabalho digno.
Contribuições para políticas públicas
A superintendente de conhecimento da Fundação Roberto Marinho, Rosalina Soares, ressalta que a pesquisa busca dar voz aos jovens e influenciar a elaboração de políticas públicas que considerem suas realidades. O estudo é uma ferramenta fundamental para visibilizar as desigualdades e promover mudanças significativas na vida desses jovens.
