Um estudo apoiado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) trouxe novos insights sobre a reabilitação de primatas. Realizado no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), em Patos de Minas, a pesquisa revelou que a adoção de filhotes órfãos de bugio-preto (Alouatta caraya) por casais da mesma espécie em cativeiro pode ser uma estratégia eficaz para sua recuperação e reintrodução na natureza.
A pesquisa
O estudo monitorou um filhote macho órfão, com cerca de 1 ano de idade, que foi aceito por um casal de bugios, composto por um macho de 7 anos e uma fêmea de 5. O principal objetivo da pesquisa foi avaliar os impactos comportamentais resultantes dessa integração.
Metodologia
A pesquisadora Izabela de Lima Costa, da Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam), analisou as interações sociais, alimentação, deslocamento, vigilância e cuidados parentais dos animais antes e após a introdução do filhote. Os resultados mostraram que o casal passou a demonstrar comportamentos típicos de assistência parental.
Resultados observados
A pesquisa destacou um aumento significativo nos comportamentos de vigilância por parte dos adultos. A fêmea apresentou um crescimento de 157,5% na frequência de vigilância, enquanto o macho teve um aumento de 69,88%. Izabela Costa explicou que essa vigilância é uma resposta natural à chegada de um novo membro no grupo.
Importância dos centros de reabilitação
De acordo com o IEF, os resultados ressaltam a relevância dos centros de triagem e reabilitação para a conservação da biodiversidade. Essas unidades não apenas acolhem animais em situação de risco, mas também são fundamentais para o desenvolvimento de conhecimento científico que aprimora as técnicas de manejo e recuperação.
Expectativas futuras
A diretora de Proteção à Fauna do IEF, Ariane Goulart, enfatizou que a experiência demonstra como ações de acolhimento e integração podem aumentar as chances de sucesso em programas de reabilitação. A convivência com pais adotivos deve favorecer o desenvolvimento social e comportamental dos filhotes órfãos, elevando suas chances de adaptação ao meio natural.
