O Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) está lançando uma importante iniciativa chamada 'Nossos Genes'. O projeto, que terá início nas próximas semanas, busca recrutar casais que estão planejando ter filhos para participação em testes genéticos.

Objetivo do projeto

A proposta visa identificar casais com risco elevado de transmitir doenças genéticas recessivas, como a síndrome do X-Frágil, que é uma das causas de deficiência intelectual hereditária. Os casais poderão se inscrever voluntariamente, independentemente de seu histórico familiar, para a triagem de genes associados a essas condições.

Parcerias e metodologias

O projeto é resultado de uma colaboração entre o CEGH-CEL e instituições como a Universidade de Brasília (UnB) e as federais da Bahia (UFBA) e do Espírito Santo (UFES). Durante a apresentação do projeto na Fapesp Week Londres, o pesquisador Michel Satya Naslavsky destacou a importância da iniciativa para a saúde pública.

Importância do banco de dados genético

Além de oferecer suporte para decisões informadas sobre a paternidade, o projeto pretende estabelecer um amplo banco de dados genéticos no Brasil. O intuito é compreender a frequência de doenças hereditárias e desenvolver 'calculadoras de risco', que poderão prever a probabilidade de ocorrência de doenças comuns, como diabetes e problemas cardíacos.

Desafios da diversidade genética

Atualmente, muitos estudos de genética utilizam dados de populações europeias, que não refletem a diversidade genética do Brasil. Naslavsky observa que a falta de representatividade nos modelos globais frequentemente resulta em estimativas imprecisas de risco para a população brasileira.

Necessidade de dados locais

A criação de bancos de dados genéticos nacionais é vista como uma necessidade urgente para garantir a eficácia da medicina de precisão no Sistema Único de Saúde (SUS). O CEGH-CEL já criou o Arquivo Brasileiro Online de Mutações (ABraOM) que serve como recurso para identificação de variações genéticas comuns e inofensivas na população.

Visão de futuro

O projeto se alinha a iniciativas como o Genoma SUS, que visa sequenciar 50 mil genomas nos próximos dois anos. Naslavsky defende que o investimento em dados locais é crucial para que o SUS possa oferecer tratamentos eficazes, além de promover descobertas significativas na área da saúde pública.