Uma nova fase da Operação Carbono Oculto foi desencadeada nesta quinta-feira (28) em Mato Grosso do Sul, especificamente em Iguatemi, onde uma empresa é investigada por participar de um esquema criminoso no setor de combustíveis. A operação visa desmantelar fraudes fiscais, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro.

Ação conjunta do Gaeco e Receita Federal

A operação, denominada ‘Fluxo Oculto’, foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, em colaboração com a Receita Federal. Foram cumpridos cerca de 60 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Esquema financeiro organizado

As investigações revelam que o esquema criminoso contava com a participação de empresários, operadores logísticos e indivíduos que atuavam como “laranjas” para ocultar transações financeiras. As autoridades indicam que, mesmo após operações anteriores, o grupo manteve suas atividades, evidenciando uma notável organização.

Movimentações em contas bancárias

Os suspeitos concentraram as operações financeiras de diversos postos de combustíveis em poucas contas, dificultando a fiscalização. Um exemplo é o caso de 56 postos que realizavam suas movimentações por meio de uma única conta bancária. Além disso, o grupo transferia recursos entre várias fintechs e criava novas empresas para substituir aquelas já identificadas pelas autoridades.

Ligação com o crime organizado

A investigação também revela conexões com a chamada “máfia do nafta”, um grupo que atua no mercado de combustíveis e que tem vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As autoridades estimam que o grupo tenha movimentado bilhões de reais, utilizando empresas para disfarçar o dinheiro obtido de maneira ilícita.

Histórico de operações em MS

Esta não é a primeira vez que Mato Grosso do Sul está sob os holofotes da Operação Carbono Oculto. Em agosto de 2025, a operação já havia mirado oito empresas do estado, com mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça. Na ocasião, o grupo criminoso foi acusado de sonegar mais de R$ 7,6 bilhões em impostos.

Adulteração de combustíveis

Além das investigações em Iguatemi, os agentes também estão cumprindo mandados contra empresas envolvidas na adulteração de combustíveis, usando solventes petroquímicos importados, que possuem tributação inferior, vendidos ilegalmente como gasolina. O prejuízo causado pela sonegação fiscal é estimado em mais de R$ 200 milhões em diferenças tributárias.