O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza nesta sexta-feira (19/6) sua 16ª visita a Minas Gerais desde que assumiu seu terceiro mandato. A visita ocorre em um momento de crescente tensão na campanha eleitoral, com a proximidade das convenções partidárias e a ausência de um palanque definido no estado, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil.

Desafios na definição de candidaturas

A menos de quatro meses do início oficial da campanha eleitoral, previsto para 16 de agosto, o PT ainda não escolheu quem representará a legenda na disputa pelo governo mineiro. A expectativa era que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) aceitasse entrar na disputa, mas sem sua candidatura, o partido enfrenta divergências internas.

Enquanto uma parte dos dirigentes defende a ideia de lançar uma candidatura própria, outro grupo propõe a formação de alianças com partidos aliados. Recentemente, o diretório mineiro do PT aprovou a estratégia de buscar um candidato petista, mas essa alternativa ainda é vista como a menos provável nas discussões atuais.

Negociações com partidos aliados

Atualmente, as negociações do PT estão focadas em duas principais frentes: uma com o MDB, onde o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, é o candidato, e outra com o PSB, que apresenta o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares, como seu representante. Gabriel Azevedo intensificou suas ações em busca do apoio petista, realizando reuniões estratégicas em Brasília.

Entretanto, a aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), foi descartada pelo comando nacional do PT. Edinho Silva, presidente do PT, afirmou que a candidatura de Kalil dificultaria o diálogo com outras siglas que fazem parte da coligação nacional do partido.

Agenda do presidente em Minas Gerais

A visita de Lula ao estado inclui compromissos voltados para a saúde. O presidente começará seu dia em Belo Horizonte, onde visitará o Hospital Luxemburgo, que opera exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a visita, serão anunciados investimentos para expandir a capacidade de atendimento da unidade, especialmente em tratamentos oncológicos.

Após o compromisso na capital, Lula seguirá para Divinópolis, onde participará da inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ). Essa nova unidade de saúde foi criada para oferecer serviços de média e alta complexidade e será totalmente voltada ao atendimento pelo SUS.

Aspectos políticos da inauguração

A inauguração do hospital é envolta em disputas políticas, pois foi simbolicamente inaugurado em fevereiro pelo ex-governador Romeu Zema (Novo), que alegou protagonismo na obra. Apesar das tensões, a expectativa é que Lula adote um tom de união e cooperação durante o evento, buscando ressaltar a colaboração entre diferentes esferas de governo que viabilizaram a entrega do hospital.

Vale destacar que o atual governador, Mateus Simões (PSD), não estará presente na cerimônia, pois mantém uma posição opositora ao governo federal. A nova placa do hospital irá reconhecer a participação conjunta de diversas entidades na realização do projeto, uma tentativa de minimizar as disputas em torno da “paternidade” da obra.