O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou, nesta quinta-feira (28), o avanço na Câmara dos Deputados da proposta que busca eliminar a escala de trabalho 6x1, que exige seis dias de trabalho seguidos, seguidos de um dia de descanso. O novo texto pretende estabelecer uma jornada de cinco dias de trabalho por semana, com um total de 40 horas semanais.

Avanços no Congresso

Durante a recepção da presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, Lula destacou a importância da aprovação da proposta, que agora seguirá para o Senado. Ele ressaltou que a mudança representa um avanço significativo para os trabalhadores, afirmando que a jornada de trabalho foi alterada pela última vez em 1988, quando passou de 48 para 44 horas semanais.

Proposta de Flávio Bolsonaro

Em contrapartida, o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, do PL, assinou uma proposta que atua como uma alternativa à proposta do governo. A proposta, conhecida como PEC 12 de 2026, é defendida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e busca permitir que os empregadores paguem os trabalhadores por hora trabalhada, oferecendo maior flexibilidade que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Justificativa da PEC

Marinho argumenta que a flexibilidade proposta permitirá que os trabalhadores ajustem suas jornadas conforme suas necessidades pessoais e as demandas do mercado. Ele acredita que essa liberdade de escolha beneficiará tanto a renda dos trabalhadores quanto sua qualidade de vida.

Reações e Polêmicas

A proposta de Flávio foi protocolada com o apoio de 40 senadores, superando o mínimo necessário para sua tramitação. Contudo, o senador criticou a proposta do governo, chamando-a de "estelionato eleitoral", afirmando que a redução da jornada poderia resultar em salários mais baixos e aumento de preços, afetando o poder de compra da população.

Aprovação e Perspectivas

Apesar das críticas, a proposta de fim da escala 6x1 foi aprovada na Câmara com um expressivo apoio, contando com 472 votos a favor e apenas 22 contra. A oposição, embora relutante, teme descontentar o eleitorado, o que pode ter influenciado na votação. O senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que o grupo trabalhará para aprovar a proposta de Marinho, enfatizando que a escolha da jornada deve ser do trabalhador e não do governo.