Luiz Mott, aos 80 anos, revelou que durante sua infância não conheceu nenhum gay, especialmente alguém que se assumisse. Crescendo em uma família católica e em um colégio religioso, Mott vivenciou a discriminação por ser considerado um 'menino delicado'. Ele compartilhou essas memórias neste sábado (6) na Feira do Livro, onde foi convidado a falar sobre a história da população LGBTQIA+ no Brasil.
Reflexões sobre a Juventude
Mott recordou que, ao se identificar como gay, já casado e pai de duas filhas, ele mal sabia como escrever “homossexualidade”. Em sua participação na feira, mediada pelo jurista Renan Quinalha, o fundador do Grupo Gay da Bahia contrastou a repressão que viveu em sua juventude com os avanços de visibilidade conquistados pela comunidade nas últimas décadas.
Comparações entre Passado e Presente
Ele celebrou os progressos na aceitação social, citando a presença de artistas como Ney Matogrosso e a exibição de casais homoafetivos na televisão. Mott destacou que uma das grandes conquistas do movimento LGBTQIA+ foi a mudança na representação da diversidade sexual nos meios de comunicação.
Histórias de Repressão
O ativista relembrou manchetes de jornais que promoviam a violência contra a população LGBTQIA+, como uma que sugeria 'matar uma bicha todo dia'. Ele também comentou sobre a forma como a televisão tratava os homossexuais, permitindo sua aparição apenas de forma caricata, como era o caso no programa de Silvio Santos.
A História de Xica Manicongo
Mott trouxe à tona a figura de Xica Manicongo, a primeira transexual documentada na história do Brasil e das Américas, expressando sua alegria ao ver tais personagens ganhando espaço em escolas de samba. Ele mencionou o impacto que a representação positiva pode ter na cultura e na educação.
Literatura e Infância
Em uma conversa paralela, a escritora Natércia Pontes discutiu a ligação entre literatura e infância, refletindo sobre suas próprias experiências ao observar suas filhas brincando. Ela compartilhou sua evolução como escritora, destacando a influência do mar em sua trajetória, um tema recorrente em suas obras, incluindo seu novo livro 'Vida Doçura'.
