No último sábado (6), jovens de comunidades periféricas se reuniram na Fundição Progresso, localizada perto dos icônicos Arcos da Lapa, no Centro do Rio de Janeiro. O evento, organizado pela ONG Águas Resilientes, teve como foco a discussão sobre o direito à água, saneamento e resiliência climática.
Declaração das Juventudes
Os participantes estão elaborando a Declaração das Juventudes, uma carta que será enviada a autoridades brasileiras e à Conferência de Águas da ONU, marcada para acontecer nos Emirados Árabes Unidos de 2 a 4 de dezembro. O evento global é crucial para debater a governança da água e aumentar a visibilidade do tema na agenda internacional.
O custo da falta de saneamento
A especialista em planejamento urbano, Andrea Pulici, destacou a importância da universalização do saneamento no Brasil até 2033, conforme o Marco Legal do Saneamento. Para isso, são necessários investimentos de R$ 114 bilhões anuais, totalizando cerca de R$ 900 bilhões até 2033. Ela questionou sobre o custo de não agir, ressaltando que a falta de água impacta diretamente a cidadania e a dignidade das pessoas.
Água e dignidade
A ativista Johari Silva enfatizou que o acesso à água é fundamental para garantir dignidade. Ela argumentou que a “diplomacia climática” deve incluir a voz de comunidades afetadas, como indígenas e moradores de áreas urbanas vulneráveis. Johari também destacou a importância de capacitar jovens para que eles possam participar ativamente da tomada de decisões.
O papel da juventude
Verena Meirelles, diretora da Águas Resilientes, afirmou que ouvir as experiências de quem vive as dificuldades do acesso à água é essencial para desenvolver estratégias eficazes. Ela espera que a Declaração das Juventudes seja um passo importante para a mobilização sobre a questão da água.
Desafios e oportunidades
A gerente de programas da Open Society Foundations, Sylvia Siqueira, ressaltou que a juventude não é apenas o futuro, mas também a chave para um futuro sustentável. O cientista político Matheus Marlisson destacou que a crise climática é o maior desafio atual e que o Brasil deve ter um papel proativo nas discussões sobre água e meio ambiente.
A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ) também participou do evento, associando justiça hídrica e climática. Ela defendeu a necessidade de uma governança inclusiva e a importância de encontros como o realizado para promover a participação cidadã nas decisões sobre recursos hídricos.
