No mês de maio, a taxa de inadimplência média registrada pelos bancos nas operações de crédito atingiu 4,7%, de acordo com dados do Banco Central (BC) divulgados nesta quarta-feira (1). Este número marca um recorde histórico, refletindo um aumento de 0,1 ponto percentual em relação a abril, que era de 4,6% (valor revisado).

Desenrola 2.0 e o aumento da inadimplência

Este recorde ocorre no mesmo mês em que foi lançado o "Novo Desenrola Brasil", conhecido como Desenrola 2.0, o último programa do governo voltado para a renegociação de dívidas, que começou a ser implementado em maio. O índice de inadimplência considera as operações com atraso superior a 90 dias, abrangendo tanto pessoas físicas quanto jurídicas.

Inadimplência entre pessoas físicas e jurídicas

Entre as pessoas físicas, a inadimplência subiu de 5,5% em abril para 5,6% em maio, atingindo o maior patamar desde o início da série histórica. Para as empresas, a inadimplência passou de 3,1% em abril para 3,2% em maio, o que representa o maior índice desde novembro de 2017, quando foi de 3,3%.

Endividamento elevado

Além do aumento na inadimplência, os dados do Banco Central também revelam que os índices de endividamento seguiram elevados em abril, o último mês disponível para essa análise. A relação entre o saldo das dívidas das famílias e a renda acumulada nos últimos doze meses permaneceu estável em 49,8%, o maior valor registrado desde janeiro, quando era de 49,9%. Este número é consideravelmente superior à média histórica de 42%, desde o início da série em março de 2011.

Dados da Serasa Experian

Conforme a Serasa Experian, que analisa dados financeiros de consumidores e empresas, 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados em março, o que representa 49% da população do país. A empresa também destacou que 47% das dívidas, totalizando R$ 557,7 bilhões, estão concentradas em instituições financeiras, evidenciando o foco do programa Desenrola 2.0.

Considerações finais

Os dados indicam um cenário preocupante em relação à saúde financeira dos brasileiros, com um nível de endividamento e inadimplência que pode impactar a economia. O Desenrola 2.0 surge como uma alternativa para tentar mitigar essas dificuldades, mas os resultados ainda estão por ser avaliados nos próximos meses.