A volta da magreza extrema como padrão de beleza, conhecida como 'Heroin Chic 2.0', gera preocupações em relação à saúde mental dos jovens. Este fenômeno social é impulsionado por tendências culturais e pela influência das mídias sociais.

Transtornos alimentares em ascensão

Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria indicam que cerca de 70 milhões de pessoas no mundo enfrentam transtornos alimentares, incluindo anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Essas condições estão se tornando cada vez mais comuns, especialmente em um ambiente onde a comparação é constante.

O papel das redes sociais

Segundo Giorgia Ocinschi, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a exposição constante a imagens de corpos muito magros, potencializada pelos algoritmos das redes sociais, pode levar a um aumento nos casos de anorexia e bulimia. Os jovens tendem a avaliar suas próprias realidades através de filtros e padrões de beleza irreais.

Dismorfia corporal e seus efeitos

Esse cenário alimenta a dismorfia corporal, uma condição que faz com que a pessoa veja falhas em sua aparência, mesmo quando está em um peso saudável. Jovens que já estão em recuperação de transtornos alimentares enfrentam um risco elevado de recaídas ao se depararem com a romantização da magreza nas mídias.

Ortorexia: a busca obsessiva pela saúde

Além da anorexia e bulimia, a ortorexia é uma condição que merece atenção. Trata-se de uma obsessão patológica por alimentos considerados saudáveis. Indivíduos com ortorexia não apenas buscam uma alimentação equilibrada, mas tornam essa busca a centralidade de suas vidas.

Sintomas e consequências da ortorexia

Os sintomas da ortorexia incluem a análise obsessiva de rótulos, eliminação de grupos alimentares sem justificativa médica, isolamento social e planejamento excessivo das refeições. Isso pode levar a uma desnutrição crônica e isolamento social, paradoxalmente resultando em problemas de saúde.

Tratamento e acolhimento

A ortorexia ainda não é reconhecida como um transtorno isolado em manuais diagnósticos, mas é tratada por equipes multidisciplinares. O tratamento pode incluir psicoterapia, nutrição comportamental e apoio psiquiátrico, visando restaurar a relação saudável com a comida.