O Instituto Estadual de Florestas (IEF) de Minas Gerais emitiu um alerta sobre os riscos associados à domesticação de jabutis, especialmente do Jabuti-piranga, que é uma das espécies mais traficadas no Brasil. Apesar de sua aparência tranquila e fama de fácil manejo, esses quelônios demandam cuidados especiais e a longo prazo.
Desafios da domesticação
Especialistas do IEF ressaltam que a criação inadequada de jabutis pode trazer sérios desafios para a conservação da fauna silvestre, além de preocupações com a saúde pública e o bem-estar dos animais. Ariane Goulart, diretora de Proteção à Fauna do instituto, destaca que a quantidade de jabutis acolhidos pelos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) é indicativa da gravidade do problema.
Ações de resgate e reabilitação
O IEF está diretamente envolvido no acolhimento e reabilitação de jabutis e outros animais silvestres por meio de sua rede de Cetras. Essas estruturas são responsáveis por atender a fauna que foi vítima de tráfico, cativeiro irregular, maus-tratos ou abandono, proporcionando os cuidados necessários para a recuperação dos animais.
Estudo sobre saúde dos jabutis
Uma pesquisa realizada em um dos Cetras em Belo Horizonte, pela pesquisadora Nathália Rodrigues da Universidade Federal de Minas Gerais, revelou que 72% dos jabutis examinados estavam contaminados com bactérias do tipo estafilococos. Além disso, 56% das amostras mostraram resistência a antimicrobianos, o que representa um risco tanto para a medicina veterinária quanto para a saúde humana.
Cuidados essenciais
Diferente de cães e gatos, os jabutis não foram domesticados. Retirá-los da natureza pode comprometer seu comportamento natural e, consequentemente, seu bem-estar. A longevidade da espécie, que pode ultrapassar 80 anos, exige planejamento e cuidados adequados ao longo de toda a vida do animal.
Criação legal e conscientização
A criação legal de jabutis deve ocorrer apenas em criadouros autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo IEF. É essencial garantir que esses animais recebam alimentação balanceada, exposição ao sol, ambiente apropriado e cuidados veterinários constantes. No Dia Mundial da Tartaruga, celebrado em 23 de maio, o instituto reforça a necessidade de conscientização da população para reduzir o tráfico de fauna silvestre e prevenir abandonos. Ariane Goulart enfatiza: "Animais silvestres não são pets convencionais. Antes de adquirir um jabuti, é fundamental pensar nos impactos para o animal, o meio ambiente e a saúde pública."
