O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está adotando uma postura de cautela em relação à possibilidade de um El Niño em 2026, mas já toma providências para minimizar os impactos desse fenômeno e evitar a propagação de incêndios florestais durante o período seco. Para isso, pode ser necessário liberar um crédito extraordinário.
Reuniões e Planejamento
Informações obtidas revelam que o tema foi abordado em uma reunião da sala de situação contra incêndios, que envolve diversos ministérios, ocorrida na segunda quinzena de maio. O assunto será reavaliado em um encontro agendado para junho.
A preocupação quanto ao ano eleitoral de 2026 é evidente. Um mapeamento foi elaborado para identificar regiões onde o clima político acirrado pode levar a queimadas intencionais, usadas como estratégia de ataque por opositores ao governo Lula.
Ações das Forças de Segurança
O plano de prevenção inclui o envolvimento das forças de segurança para realizar operações de fiscalização e investigação, apoio logístico do Ministério da Defesa e controle de rodovias pelo Ministério dos Transportes, entre outras ações.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) devem solicitar cerca de R$ 200 milhões em crédito extraordinário, parte desse valor para compensar perdas orçamentárias.
Preparativos e Recursos
A Advocacia-Geral da União (AGU) está elaborando uma resposta a uma consulta do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, sobre as medidas que o governo está tomando para mitigar os efeitos do El Niño.
Na última reunião ministerial, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou que o governo já destinou R$ 150 milhões do Fundo Amazônia para fornecer equipamentos de combate a incêndios a seis estados do Pantanal e do Cerrado. Ela enfatizou a importância de estar preparado para os desafios que o fenômeno pode trazer.
Impactos das Mudanças Climáticas
As mudanças climáticas têm intensificado secas, incêndios e tempestades globalmente. O El Niño, fenômeno que ocorre quando as águas superficiais do Pacífico se aquecem, tem se mostrado mais frequente e severo, resultando em ondas de calor que favorecem incêndios no Norte e Nordeste do Brasil, enquanto o Sul enfrenta chuvas intensas.
Esse cenário afeta diretamente a agricultura e contribui para o aumento do desmatamento. O Brasil registrou graves crises de queimadas em 2020 e 2024, exacerbadas pelo El Niño. O Ministério do Meio Ambiente está realizando reuniões regulares com meteorologistas para monitorar a situação climática.
Ações Preventivas e Colaboração
Até o momento, as previsões indicam uma probabilidade de 70% de um El Niño forte, mas existe uma incerteza de 50%. Um panorama mais claro deve ser obtido em julho. Enquanto isso, o governo está implementando medidas preventivas, como queimas controladas para reduzir a matéria combustível que poderia alimentar incêndios maiores.
Desde 2025, essas ações resultaram em uma queda de 39% na área queimada em comparação com a média dos oito anos anteriores. A colaboração com estados é essencial, já que os bombeiros são responsáveis pela resposta a incêndios em propriedades privadas, onde a maioria começa.
Mapeamento de Risco e Mobilização
O governo identificou o Pará como a região de maior risco para incêndios motivados politicamente, com municípios como Altamira, Novo Progresso e São Félix do Xingu em destaque por sua conexão com desmatamento ilegal e práticas agrícolas predatórias.
A Polícia Federal deverá atuar intensamente nessas áreas, registrando e investigando incêndios. Até o momento, 4.410 brigadistas foram mobilizados, e o governo está buscando destacar mais agentes da Força Nacional para operações de fiscalização.
Além disso, o governo considera a utilização de aeronaves do Ministério da Defesa para as operações, além de fortalecer a cooperação com a Bolívia em ações nas fronteiras. Campanhas de conscientização para a população e produtores rurais também estão nos planos.
