Na última terça-feira (2), o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro não discutirá o sistema de pagamentos instantâneos Pix em futuras negociações com os Estados Unidos. A declaração ocorreu após o Pix ser alvo de críticas em um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que sugere a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
Defesa do Sistema Pix
Durigan enfatizou que "o Pix será protegido e resguardado" e que não está em debate. Essa posição reflete uma resposta direta às preocupações levantadas pelos EUA, que alegaram que determinadas práticas brasileiras, incluindo o funcionamento do Pix, prejudicam empresas americanas.
Críticas Americanas ao Pix
O relatório do USTR apontou que o Banco Central do Brasil atua simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos, o que, segundo os americanos, limita o acesso de empresas estrangeiras ao mercado. A investigação sugere que o modelo do Pix favorece a ferramenta brasileira em detrimento de concorrentes privados.
Reação do Governo Brasileiro
Além de Durigan, outros membros do governo, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, também se manifestaram, considerando as críticas como injustificadas. Alckmin destacou que o Pix representa um avanço tecnológico que beneficia tanto consumidores quanto empresas, enfatizando que é uma conquista do povo brasileiro.
Posição do MDIC
O secretário-executivo do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Marcio Elias Rosa, reforçou que o sistema não será incluído em nenhuma negociação com os EUA. Ele afirmou que o governo não permitirá que temas relacionados à soberania nacional, como o Pix, sejam discutidos em mesas de negociação.
Histórico da Investigação
O USTR abriu uma investigação em julho de 2025, quando o sistema brasileiro ainda não era mencionado especificamente. Inicialmente, as preocupações eram gerais sobre serviços de comércio digital apoiados pelo Estado. Contudo, com a conclusão da investigação, o Pix foi destacado como exemplo de práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA.
Próximos Passos
Embora o USTR tenha recomendado tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, essa medida ainda não foi implementada. O governo americano está realizando uma fase de consulta pública antes que o presidente Donald Trump tome uma decisão final. Entretanto, o Brasil continua a afirmar que o Pix não será um ponto de discussão nas negociações.
