Você sabia que completar um álbum da Copa do Mundo pode resultar em resíduos que permanecem no meio ambiente por até 100 anos? Isso se deve ao liner, um tipo de papel siliconado que protege a parte adesiva das figurinhas. O processo de reciclagem desse material é complexo e caro, o que faz com que a maioria dele acabe nos aterros sanitários.

Tradição e Impacto Ambiental

A prática de colecionar figurinhas da Copa é uma tradição que perdura por várias gerações, com bilhões de adesivos sendo vendidos a cada Mundial. Embora muitos considerem que, por ser papel, o material é reciclável, a realidade é diferente. Apenas porque algo é feito de papel não significa que seja sustentável.

Reciclabilidade x Reciclável

É importante entender a diferença entre materiais recicláveis e a reciclabilidade. Um material reciclável pode ser transformado em novos produtos, como garrafas PET, enquanto a reciclabilidade refere-se ao potencial de um material passar pelo processo de reciclagem. Infelizmente, muitos materiais, como o liner, exigem processos que dificultam seu reaproveitamento.

Descarte Responsável

Apesar das dificuldades, é fundamental descartar o liner no lixo reciclável. Durante a triagem, alguns centros podem encaminhar esses materiais para empresas que realizam o tratamento. Mesmo que a reciclagem do liner seja limitada, a destinação correta ainda é uma ação importante.

Dimensão do Problema

Não há dados oficiais sobre a quantidade de figurinhas produzidas diariamente pela Panini, mas apenas nos primeiros dias de uma ação com uma plataforma de entrega, foram vendidos 6,7 milhões de pacotes, totalizando cerca de 47 milhões de figurinhas. Em 2022, a Dow Brasil, responsável pela produção do liner, coletou apenas 168 mil liners, o que representa uma fração mínima dos resíduos gerados.

Ações e Responsabilidades

A cultura da coleta de figurinhas não evoluiu em paralelo à conscientização sobre o descarte adequado. Embora exista uma Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil, a legislação ainda apresenta lacunas. Iniciativas como a da Polpel, que coleta liners em Guarulhos, são raras. A Dow mencionou estar trabalhando para melhorar a reciclabilidade do material, mas a Panini não respondeu aos questionamentos sobre suas práticas.