Três ex-policiais militares foram sentenciados a 24 anos de reclusão em regime fechado pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de apenas 18 anos. A decisão, que também inclui o pagamento de uma indenização de R$ 100 mil à família da vítima, foi proferida em um júri realizado na noite de sexta-feira (3), em Porto Alegre.
O Caso Gabriel
O trágico episódio remonta a agosto de 2022, quando o jovem desapareceu após ser abordado por policiais. Seu corpo foi encontrado em um açude uma semana depois, levantando sérias questões sobre a conduta dos agentes envolvidos.
Os ex-policiais condenados são o ex-sargento Arleu Jacobsen e os ex-soldados Raul Veras Pedroso e Cleber Lima, todos considerados culpados por homicídio duplamente qualificado. As qualificações incluíram motivo fútil e o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, caracterizando a gravidade do crime.
Detalhes da Abordagem
Gabriel Marques Cavalheiro, que havia se mudado de Guaíba para São Gabriel para prestar o serviço militar obrigatório, foi abordado por três policiais na Avenida Sete de Setembro. Testemunhas relataram que ele foi agredido com golpes de cassetete na região do pescoço durante a abordagem, que foi registrada em vídeo.
A última vez que Gabriel foi visto com vida foi quando ele foi imobilizado e colocado em uma viatura militar. O corpo foi encontrado submerso em um açude na localidade de Lava Pé, e os policiais suspeitos do crime foram presos no mesmo dia da descoberta do cadáver.
Reações e Posicionamentos
As defesas dos ex-policiais expressaram confiança na inocência de seus clientes. Jean Severo, advogado de Cléber Lima e Raul Pedroso, afirmou que espera a absolvição, enquanto Maurício Custódio, defensor de Arleu Jacobsen, descreveu a condenação como uma injustiça.
Em contrapartida, o promotor de justiça Eugênio Amorim enfatizou que o Ministério Público está comprometido em buscar a condenação dos réus, afirmando que a justiça é necessária para evitar um segundo luto à família da vítima, que já enfrenta a perda do jovem Gabriel.
