A ingestão de alimentos ricos em minerais, como as castanhas, não garante que o corpo aproveite todos os nutrientes. Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) investigou a bioacessibilidade dos minerais presentes nessas oleaginosas, ou seja, a fração que é efetivamente liberada durante a digestão e disponível para absorção.
Pesquisa Focada em Castanhas
Com apoio da Fapesp, a pesquisa concentrou-se em duas castanhas populares no Brasil: a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa) e a castanha-de-caju (Anacardium occidentale). Os pesquisadores simularam o processo digestivo humano em laboratório, e os resultados foram divulgados na revista Química Nova.
Objetivo do Estudo
O químico Angerson Nogueira do Nascimento, coordenador do estudo, destacou a importância de avaliar o real valor nutricional dos minerais na dieta. Ele enfatizou que a pesquisa não apenas mede a concentração dos elementos, mas também simula os processos de digestão gástrica e intestinal.
Minerais Avaliados
Os pesquisadores analisaram quatro minerais essenciais: cobre, magnésio, manganês e zinco. Cada um desempenha funções vitais no organismo, como a formação de glóbulos vermelhos, saúde óssea, e fortalecimento do sistema imunológico.
Diferenciação entre Bioacessibilidade e Biodisponibilidade
Os cientistas explicaram a diferença entre bioacessibilidade, que se refere à fração liberada no trato gastrointestinal, e biodisponibilidade, que é a quantidade efetivamente absorvida pelo corpo. A bioacessibilidade pode ser testada em laboratório, enquanto a biodisponibilidade requer estudos com seres vivos, o que implica em custos e aprovações éticas.
Resultados do Experimento
Na simulação, as castanhas-de-caju apresentaram cerca de 56% de bioacessibilidade para o cobre e 52% para o magnésio. No entanto, manganês e zinco estavam abaixo do limite de detecção. Já na castanha-do-pará, 50% do cobre e 28% do magnésio estavam disponíveis, com os outros minerais também indetectáveis.
Os resultados evidenciam que, apesar da presença significativa de minerais nas castanhas, apenas uma fração é efetivamente absorvida pelo corpo humano. Por isso, Nascimento conclui que a avaliação nutricional deve considerar não apenas a concentração total dos nutrientes, mas também sua disponibilidade para absorção no organismo.
As castanhas, portanto, não devem ser vistas como fontes exclusivas de minerais, mas podem complementar uma dieta equilibrada e variada.
